14 de dez de 2006

A revolução das máquinas... de busca

Era uma vez uma fadinha de luz. O sonho dessa fadinha era ser economista. "Quero ser economista!", dizia ela.

Um dia, a fadinha foi almoçar na casa de sua melhor amiga, uma largatinha [sic], que lhe serviu os tipos de comidas lagartense mais coloridos que haviam. Durante o almoço, a fadinha perguntou à largatinha:

- Como se chama o prefeito de BH?

- Hmm... Eu não sei. Essa pergunta é tão difícil quanto aquela: "onde surgiu o abraço"?

- É... Tem razão. Ou então "qual o antônimo de plenitude".

De repente, a largatinha falou:

- Acho que tenho que parar de comer. Estou engordando demais. Você já viu meus culotes[?] Bigger.

- Posso te ajudar. Estou lendo um livro que se chama "preparação física para cavaleiros". Nele, diz que uma espécia de chá, o chac cha, pode ajudar em dietas de emagrecimento.

A largatinha estava achando aquele papo chato.

- Que tal se fôssemos ler poemas? Poderíamos ler alguns trapos [do] Álvaro de Campos, ou o poema da flor copo de leite, ou ainda um poema katrina. Ou então, podemos entrar na Internet e ler um ditado popular, ou blogs coloridos com poemas. O que acha?

- Legal! Poderemos ler também frases que expressam tristeza. Ou frases sobre saudade, e também uma frase relacionada a decepções. Até mesmo frases de doido!

- Exato. Também poderemos trapacear no campo minado quando ficarmos entediadas com os 200611 poemas que tenho armazenados.

- Ou podemos jogar GTA[,] Sr. Anderson.

Diante do estranho vocativo, a largatinha levantou uma sobrancelha e perguntou:

- Porque me chamou de Sr. Anderson?

A atenção da fadinha, porém, se desviou para outra coisa.

- Puxa, seu banheiro e lavado [sic] são tão coloridos!

- Sim. A minha mãe, que já não está entre nós, gostava de fazer projetos de banheiros coloridos.

- Ah... Entendo. Frases, saudades, pessoas falecidas.

- E este banheiro é um dos lugares que expressam amor, saudade...

As duas se calaram por um tempo.

- Bem, que tal se procurássemos alguma coisa nas máquinas de busca da Internet?


* As expressões em negrito, retirando-se os eventuais colchetes, foram termos usados por internautas em variadas máquinas de busca, como o Google, e que os levaram a entrar neste blog que você lê agora através dos resultados.

6 de dez de 2006

Fique com o troco

(baseado em fatos reais)

Danilo estava cansado. Queria logo voltar pra casa depois daquele dia cheio de trabalho. Ele não parava de pensar na voz daquela cliente chata que ligava de cinco em cinco minutos cobrando aquela proposta e não deixava ele trabalhar na dita cuja.

Havia muitas pessoas no ponto de ônibus. Isso o animou um pouco, pois se há muitas pessoas, provavelmente é porque o ônibus não passou ainda. Mas poderia ser por que o trânsito está um caos no centro. E assim o ânimo se tornou efêmero.

Muitas meias horas depois, vem o coletivo. Naturalmente, havia passageiros tentando tomar ar do lado de fora, já que, na visão do motorista, este ar ocupava um espaço onde poderia haver mais passageiros. "Eles nunca param de pegar gente, não importa o quão cheio está o ônibus", pensava Danilo, já com um princípio de irritação. É, princípio, ele era muito paciente.

Quando conseguiu chegar à roleta depois de entrar no ônibus, ele tirou a carteira e reparou que não tinha trocados. Nem mesmo notas de dois, só tinha uma nota de dez reais. Deu a nota ao cobrador, girou a roleta pra ocupar o espaço menos desconfortável que havia depois dela e esperou o troco.

- Não tenho trocado. Pode esperar um pouco?

"Malditos cartões magnéticos. Um coletivo cheio desses e ninguém paga em dinheiro?" O pensamento de Danilo começou a se enveredar por uma via perigosa.

É claro que o trânsito estava ótimo, ainda mais com a obra na principal avenida que dava acesso ao seu bairro. A obra havia simplesmente fechado metade das pistas, e a pista exclusiva para ônibus, de modo que as pistas laterais agora recebiam tipo o triplo do tráfego. "E eu nem votei nele", pensou Danilo.

O ônibus foi chegando perto do ponto onde Danilo desceria, e o cobrador sequer olhara pra ele. Ele começou a ficar tenso. E o ônibus foi parando, esvaziando, até que Danilo perguntou.

- Moço? Vou descer no próximo ponto, poderia me dar o meu troco?

- ... olha, moço... Eu não tenho o troco integral. Tenho apenas 8 reais inteiros, não tenho 15 centavos. Faz o seguinte, amanhã eu te dou quando você pegar o ônibus de novo, pode ser?

- Não! Eu tenho que descer, então abaixa o preço da passagem!

- Amanhã eu te dou, moço, sério!

Argumentar com um passageiro a esse respeito era demais. O ônibus já havia parado e todos estavam olhando aquela discussão. Danilo, pê da vida mas sempre paciente, resolveu descer sem os 15 centavos. E como ele sempre fazia quando estava sozinho, não parava de pensar naquilo. E foi ficando com cada vez mais raiva.

Chegando em casa, tentou respirar. "Bem, deixa isso pra lá. Ainda bem que acabou esse martírio."

Toca o telefone.

- Alô, Sr. Danilo? Você não gostaria de um cartão exclusivo para clientes da Americanas.com?