28 de fev de 2010

As regras do Mau Mau Voador

O Mau Mau Voador deve ser jogado, idealmente, de 5 a 12 pessoas. Dois baralhos completos, com os coringas, devem ser usados.

Distribua 7 cartas, uma por vez, para cada um dos jogadores. As cartas restantes - o monte - devem ser colocadas no meio da mesa, com a face para baixo. A primeira carta deve ser virada para cima e colocada ao lado. Esta é a primeira carta do descarte.

O objetivo é descartar todas as cartas da mão. Quando um jogador possuir apenas uma carta na mão, é obrigado a dizer, em voz alta, "mau mau". Caso não o faça até que o próximo jogador jogue uma carta, os outros podem acusá-lo de não ter dito, e nesse caso, o jogador omisso deverá comprar 7 cartas do monte.

O jogo sempre começa no sentido anti-horário. Cada jogador, na sua vez, pode jogar uma carta de mesmo valor ou de mesmo naipe que a carta que está no topo do descarte. Ou seja, o primeiro jogador deve respeitar a primeira carta que foi virada do monte. Se ela for uma carta especial, o efeito se aplica (veja abaixo).

Caso o jogador não possua uma carta de mesmo valor, mesmo naipe, um valete ou um coringa (veja abaixo), ele deve comprar uma carta do monte. Se a carta servir, ele pode jogá-la. Caso contrário, perde a vez.

Existem algumas cartas especiais que geram um ou mais efeitos no jogo. Para exemplificar, vamos imaginar uma roda com os jogadores Alfredo, Beatriz, César, Daniele e Edmundo, no sentido anti-horário.

Ás - pula o próximo jogador. Ex.: se Beatriz joga um Ás, César deixa de jogar e a vez passa para Daniele. Se fosse no sentido horário, Alfredo perderia a vez e ela passaria a ser de Edmundo.

7 - o próximo jogador é obrigado a comprar 3 cartas. Caso possua outro 7, ele pode jogá-lo e passar o castigo para o próximo jogador, que também pode fazer o mesmo processo. Ex.: Edmundo joga um 7. Alfredo tem que comprar 3 cartas. Se Alfredo possuir um 7, ele pode descartá-lo e, nesse caso, Beatriz tem que comprar 6 cartas. Se ela tiver um outro 7, pode jogá-lo e César terá que comprar 9 cartas, e assim por diante. O jogador que comprar as cartas perde a vez.

9 - o jogador anterior é obrigado a comprar uma carta. Ao contrário do 7, o 9 não é cumulativo. Ex.: César joga um 9. Beatriz tem que comprar uma carta.

Valete - o jogador que descartá-la pode escolher o naipe da próxima jogada. O Valete pode ser jogado sobre qualquer carta, não sendo necessário respeitar o naipe ou o valor da carta do topo do descarte. Caso um jogador vença o jogo com um Valete, todos da mesa tem que comprar 1 carta do monte. Ex.: se Daniele joga um 4, Edmundo pode jogar um valete e dizer que Alfredo tem que jogar uma carta de copas.

Dama - inverte o sentido do jogo. Ex.: se Alfredo joga um 5, e Beatriz joga uma Dama, a vez volta a ser de Alfredo, e depois será de Edmundo, Daniele e César.

Rei - é a carta do silêncio. Sempre que um Rei for jogado, todos os jogadores estão proibidos de pronunciar quaisquer palavras. É permitido rir. O jogo segue normalmente, e só é permitido falar novamente quando outro Rei for jogado. Caso um jogador fique com apenas uma única carta durante este tempo, ele deverá, ao invés de dizer "mau mau", dar dois toques na mesa.

Coringa - funciona como o 7, só que ao invés de 3 cartas, o próximo jogador deve comprar 5 cartas. Caso este jogador possua um coringa na mão, ele pode jogá-lo para que o próximo tenha que comprar 10 cartas, e assim por diante. O Coringa pode ser jogado sobre qualquer carta. O jogo segue com o último descarte diferente de um coringa. Ex.: Edmundo joga um 3 de Ouros. Alfredo, não tem um 3, nem cartas de Ouros, mas tem um Coringa e o joga. Beatriz não tem um Coringa e deve comprar 5 cartas, perdendo a vez. César segue o jogo, devendo jogar um 3 ou uma carta de Ouros (a última carta antes dos Coringas).

Além das cartas especiais, ainda existem outras duas regras:

Roubar a vez - se qualquer jogador possuir uma carta igual à que está no topo do descarte, com exceção do Coringa, pode jogá-la, roubando a vez de outro jogador. Com isso, ele tem o direito de jogar outra carta. Ex.: Alfredo joga um 8 de Espadas. A vez passa a ser de Beatriz, que pode jogar qualquer 8 ou qualquer carta de Espadas. Porém, Daniele tem um 8 de Espadas e o descarta antes de Beatriz, roubando a vez. Agora, Daniele é que tem que jogar um 8 ou uma carta de Espadas. Se a cartas utilizada para roubar a vez for uma das cartas especiais, perde o efeito.

Dobradinha - se um jogador, na sua vez, possuir uma carta igual à que está no topo, ele pode escolher roubar a própria vez e descartar mais cartas, ou então aplicar a Dobradinha, isto é, o próximo jogador é obrigado a comprar 2 cartas do monte, mas não perde a vez de jogar.

Regra Opcional - A carta Osama

Antes da distribuição das cartas, uma carta é sorteada e mostrada para todos os jogadores. Esta carta é o Osama. Todas, exceto o Coringa, podem ser o Osama. Depois desse momento, a carta é colocada novamente no baralho e ninguém poderá mencioná-la pelo nome durante o jogo, ou fazer qualquer referência ao fato dela ser o Osama (ex.: apontar com o dedo e dizer: "olha!"), sob pena de comprar 4 cartas. A carta Osama deve ser guardada na mente.

O jogador que possuir o Osama pode jogá-la em cima de qualquer carta, não sendo necessário respeitar o naipe ou valor. Nesse caso, o jogador deve mencionar que está fazendo um "atentado", apontando para a carta, e pode escolher qualquer jogador da mesa para comprar 8 cartas. Caso este jogador escolhido possua um outro Osama, ele pode fazer uma "retaliação", e escolher qualquer um da mesa (inclusive o jogador que atentou contra ele) para comprar 16 cartas. O jogo segue com a última carta diferente do Osama como sendo a do topo do descarte.

O jogador pode, se quiser, jogá-la com o valor normal dela (ex.: caso seja um 7 de Espadas, o próximo compra 3 cartas). Se for assim jogada, deve respeitar a regra básica de mesmo naipe ou valor.

Caso um jogador descarte o Osama como sua última carta (ou seja, vencendo o jogo), todos os jogadores da mesa tem que comprar 4 cartas.

25 de fev de 2010

Backstab

Diferentemente das outras, essa letra tem arranjo. Pense numa música a la Elvis Presley. Ainda não há versão gravada...

The night showed up
She rang my phone
"I wanna go out
You 'n me alone"
I drove my car
And we were done
I took my guitar and sang my song

Oh yeah!
She robbed my heart
And then we went my place to make some "art"

As soon as we arrived
She opened the door
Four kisses or five
My jacket on the floor
We went to my room
She took my wallet
And then boom, bang, boom boom, bang bang

Yeah
She stole my arts
And then she's gone away and broke my heart

She took my money
She took my car
She took everything
But not my guitar
I fought with her
Defending my love
'Coz when I sing I go above

With her
My dear guitar
At least my rock 'n roll don't make me scars
At least my rock 'n roll don't make me scars
At least my rock 'n roll don't make me scars

19 de fev de 2010

O Caixeiro Viajante - Parte 4/4

O caixeiro voltou ao castelo. Ao entrar no salão do trono, logo à frente da entrada
do corredor que leva à câmara do Cisne Vermelho, ele as viu.

Os Quatro Entes, perfilados, lindos e cheios de energia positiva. Uma energia quente.
O caixeiro se sentia muito bem ali.

Por um momento, ficou entorpecido. Mas estava decidido.

- Não. - disse de forma taciturna.

Os Quatro Entes não se moveram. Mas algo estava acontecendo.

Da esquerda para a direita, Ariel, Tharsis, Kerub e Seraph se alternavam entre
grandes explosões de aura e ausência total de cor. Tudo acontecia cada vez mais
rápido. O caixeiro ficou tonto.

Por fim, os Quatro Entes se moveram, e começaram a dançar uma valsa...

[música: Enya - Only Time]

Aos pares, eles pareciam ficar cada vez mais translúcidos... E pareciam atravessar
uns aos outros...

"E quem pode dizer para onde esta estrada vai
Ou para onde o dia vai
Somente o tempo...

E quem pode dizer se seu amor cresce
Quando o seu coração escolhe
Somente o tempo..."

A vozes delas sumiam na luz... Coros perfeitos... Harmonizadas como se fossem apenas
uma...

"E quem pode dizer porque seu coração suspira
Quando seu amor voa
Somente o tempo...

E quem pode dizer porque seu coração chora
Quando seu amor mente
Somente o tempo..."

De tempos em tempos, elas trocavam de par... Até que o caixeiro não percebeu o
momento em que só haviam três delas...

"E quem pode dizer, quando as estradas se cruzam
Que o amor pode estar no seu coração...

E quem pode dizer, quando o dia dorme
Que a noite olhará pelo seu coração...

A noite olhará pelo seu coração!"

Até que em um momento, o caixeiro viu à sua frente a figura que tinha visto antes: a
dos Quatro Entes, reunidos. Uma só mulher, a mais bela de todas... Ela estendeu a mão
para ele, e cantou:

"E quem pode dizer para onde esta estrada vai
Ou para onde o dia vai
Somente o tempo...

E quem pode dizer se seu amor cresce
Quando o seu coração escolhe
Somente o tempo...

Quem pode dizer? Somente o tempo..."

O caixeiro se viu na Câmara do Cisne Vermelho... E lá ficou.

(...)

Quando acordou, o caixeiro se viu fora do castelo. Deitado no chão, a chuva caía
sobre seu rosto. Exatamente como da outra vez. Teve medo. E saiu fora dos muros do
Reino do Castelo Celeste. Sem rumo...

Quando souberam da notícia, os Quatro Entes mandaram uma das amazonas mais valentes e
leais que possuíam... Com uma mensagem. A amazona partiu em busca do caixeiro, e não
iria desistir até que o encontrasse...

16 de fev de 2010

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 16

O caixeiro juntou suas trouxas, mas deixou suas bugigangas lá - elas não faziam mais sentido pra ele. Caminhou em direção à ponte levadiça que levava pra fora dos muros do castelo. Virou-se, deu mais uma olhada para o Castelo Celeste - quis que não fosse a última - e se foi. Ele sabia que precisava pensar direito, mas fora da influência da magia do Castelo... A ponte levadiça se abriu, e ele se encontrou fora dos muros celestes...

Passou-se o tempo, e o caixeiro voltou...

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 15

O caixeiro se sentiu com frio. Abriu os olhos e estava fora do castelo novamente. A chuva caía, e ele viu atrás de si o Castelo. Tinha certeza de que aquilo não tinha sido um sonho, foi real. Mas, como todo ser humano, começou a ter medo. "Porque os Entes me escolheram, não sou digno", pensava. "Os Quatro Entes têm tanto poder, por que eu, logo um andarilho pobre?" Ele não podia responder. Mas, ao mesmo tempo, queria voltar para o Castelo. E foi o que ele fez. Voltou-se... Subiu as escadas... E entrou. Lá dentro, o salão lhe pareceu diferente. Apesar de ter as mesmas paredes celestes, algo estava diferente. À frente do portão das quatro faixas, a jovem de pele azul - que agora possuía alguns toques em vermelho, como se uma constante luz vermelha a iluminasse de cima - estava parada, fitando-o. Ele foi até ela, e disse: "Senhora... Não sou digno do presente que vós me concedeis." Esperou uma resposta... Após um pouco de silêncio, ela disse: "Eu sou a Fonte. Sou o corpo, a mente, o espírito e o coração. E eu os dou a quem quiser. Se tens medo de viver o que dou-te, és livre para ir embora. Mas pensa no que fazes, pois será uma chance única. Eventualmente, tu podes voltar, mas tudo será diferente. Vai, pequeno cisne. E volta com a tua decisão."

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 14

Com a chegada da poderosa jovem de pele azul, o caixeiro recuperou a confiança. Levantou-se e, apoiado pelo leve toque das belas mãos da jovem, adentrou-se à escuridão que parecia impregnar o interior do salão atrás do portão... Porém, ao entrar, o caixeiro se viu no lugar mais lindo de toda a sua vida. O lugar parecia ao ar livre, apesar do caixeiro saber que ali era o interior do Castelo Celeste... A mulher, então, o conduziu até aquele corredor - o que possuía um cisne vermelho acima de sua entrada. Ela parou, olhou com uma ternura sublime para o caixeiro, e entrou. O caixeiro podia ver, na outra ponta do corredor, uma silhueta. Sabia que era Tharsis. A intensidade daquele momento o fez querer seguir a jovem de pele azul. Então, ele entrou! E foi tomado por uma luz vermelha, tênue... A jovem que seguia havia desaparecido... Já no meio do corredor, viu uma figura se aproximar... E, à medida que ela se aproximava, seu coração batia mais forte... A intensidade subia sua adrenalina, era um momento de puro sentimento... A jovem se aproximou e disse: "Feche os olhos..." E ele se sentiu tocado na face... E cada toque da mulher - que era a mesma jovem de pele azul, mas envolta numa luz vermelha - parecia entrar dentro de todo o seu corpo... Sem abrir os olhos, o caixeiro se aproximou da jovem... E a beijou.

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 13

As três se entreolharam. Abriram um grande sorriso. Então, sem saber qual das três havia dito, ouviu uma voz dizendo "É chegada a hora." Elas pareciam translúcidas... E voavam pelo chão. Não pareciam caminhar... Elas entraram pelo portão e desapareceram na escuridão... O caixeiro se sentiu mal. Abandonado e sozinho. Caiu de joelhos, quis alguém... Então, de lá de dentro, surgiu outra figura, uma que ele nunca havia visto antes. Era uma mulher jovem, de olhos profundamente verdes e cabelos castanhos, longos... Ela tinha a pele azul, vestia uma túnica anil e emanava uma energia branca... O caixeiro percebeu de quem se tratava. Era a essência daquela terra, a fonte de todo o poder daquele lugar. Eram as três reunidas. Mas o caixeiro sabia que faltava o coração...

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 12

Mal sabia ele, mas dentro do Castelo o tempo passava diferente. Cada hora ali dentro era um dia lá fora. Quando Ariel parecia querer dizer algo, surgiu Kerub. Ela estava maravilhosamente bem vestida, com um azul turquesa que possuía o mesmo efeito do anil de Ariel - a vermelhidão palpitante. E assim continuou, apenas olhando, sem dizer nada. Parecia querer desfalecer, mas sabia que se encontraria lá fora novamente quando acordasse... E resistiu. Permanceu imóvel, esperando que uma das duas falasse... Quase logo após de completar este pensamento, sentiu um fluxo de energia atrás do portão, como se tudo que estivesse ao seu redor se reunisse em um único ponto. Então, a outra parte do portão se abriu, e de lá de dentro veio Seraph. A criança tinha um olhar incompreensível, mas ao mesmo tempo atraente, irresistível...

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 11

O caixeiro mal dormiu de ansiedade. Ao nascer do sol, caminhou em direção ao castelo, sem olhá-lo diretamente. Por alguma razão, as portas já se encontravam abertas... O caixeiro entrou, e viu exatamente o que viu no seu suposto sonho. As mesmas paredes celestes, o mesmo grande portão com as quatro faixas paralelas. Quis entrar, mas algo o fez esperar. Então, com uma voz tímida, ele disse "Kerub!"... Um eco prolongadíssimo de sua voz rebateu nas paredes do Castelo Celeste. Depois disso, um silêncio sepulcral. O caixeiro esperou... E o portão lentamente se abriu. Parecia estar escuro lá dentro... Um figura surgiu do portão. Era Ariel. O anil de sua roupa inundou o coração do caixeiro, que parecia ver Ariel mas sentir Kerub. Novamente, o anil de Ariel parecia vermelho por vezes... E ali ele ficou. Olhando Ariel e Ariel o olhando... Por alguns minutos.

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 10

O caixeiro já acordava contando os dias para a entrada no castelo. Faltavam 6, pela sua conta. Mas ele estava confuso, afinal o tempo naquele lugar parecia transcorrer diferente. Lá estava ele, cantando e dançando com seus amigos - todos feitos durante sua estadia nos campos - até que viu todos pararem e olharem para um só lugar. De costas, o caixeiro sabia que todos olhavam para o Castelo. Imediatamente, o caixeiro se virou. Não viu ninguém. Ficou pensando por um tempo... e sentiu que devia ver Ariel e Kerub. No caminho para o castelo, perguntou-se porque não ficou com vontade de ver Seraph. "Porque estou sempre com você", uma voz lhe disse. Ele sorriu e continuou... Mas parou. Hesitou e preferiu enfrentar o dia seguinte...

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 9

Tudo havia voltado à "normalidade". Os camponeses dançavam, bebiam e cantavam, novamente. Aquele povo era tão feliz... O que acontecia? Por que ele se sentia tão feliz também? Parecia que tudo à volta do castelo era envolto em magia, parecia que o castelo emanava uma aura anil fina, suave... Ele se sentia cada vez mais atraído por aquele lugar...

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 8

O caixeiro acordou de um pulo. Como se tivesse sido chamado, ele saiu de sua cama improvisada no chão com folhas de bananeira, saiu da barraca e olhou. Lá elas estavam. Ariel, Seraph e Kerub estavam sentadas na escadaria frontal do Castelo Celeste. Era isso o que ele esperava ontem, e aconteceu hoje... Sem saber porque, o caixeiro abriu um grande sorriso... E quando deu por si, já estava parado em frente às três moças. Quis perguntar onde está Tharsis, o coração, mas segurou sua pergunta - ele sabia que um dia a veria... Depois disso o dia transcorreu muito bem... Ele se sentia cada vez mais preparado para encarar os Quatro Entes... Ele finalmente veria Tharsis!

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 7

Finalmente, a Reveirada chegava. Os camponeses nao dançavam nem cantavam nesse dia - eles acreditavam que isso poderia ser ruim para os deuses. O caixeiro, na companhia da hospitaleira mulher, fazia o mesmo que todos os camponeses: olhava para cima, admirando o eclipse. Era um momento único - a lua menor, Jo, se sobrepunha à lua maior, Bei. Atrás delas, uma estrela, Bra, as coroava. Um tríplice eclipse. De repente, algo interrompeu a admiração do caixeiro - o menino que lhe acordara no campo naquele dia havia caído no Lago do Espelho, que ficava atrás do Castelo Celeste. Sua mãe ficou perturbadíssima, e chorou. O caixeiro quis consolá-la, e conseguiu. E, juntos, os dois continuaram a admirar o eclipse. Mas o caixeiro ficou um pouco decepcionado, pois esperava que algo acontecesse com o Castelo naquela noite...

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 6

O sexto dia já estava no clima da Reveirada. Os camponeses começaram a enfeitar suas barracas com fitas brancas. A mulher dona da barraca na qual ele se hospedara lhe explicou que isso era pra que os feitiços do passado não recaiam sobre suas cabeças no futuro. Ele ficou pensando naquilo e, sem saber porque, arrumou uma pequena fita branca e amarrou em seu calcanhar.

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 5

No quinto dia, o caixeiro viu uma apresentação teatral dos camponeses. E ele adorou, claro. Afinal, ele gostava muito de representação. Era atraído por isso... O musical falava de um casal que teve que se separar devido à incredulidade do homem em relação a ele mesmo - ele a amava demais para que ela o merecesse. Violinos, harpas e gaitas de fole embalavam as danças e as cenas. O caixeiro sentiu-se emocionado com aquilo - o que pra ele era algo inexplicável - e sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto ao final da apresentação... Ele nunca havia sentido aquilo.

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 4

O quarto dia foi como o segundo. Dança, comida, bebida... Mas foi um pouco diferente. A saudade do castelo era maior, e o castelo parecia cada vez mais uma coisa atraente. Pessoas falavam de um evento que aconteceria no sétimo dia. Algo como um eclipse, ao qual os camponeses chamavam de "Reveirada". O caixeiro ficou pensando no que poderia ser aquilo.

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 3

Na manhã do terceiro dia, o caixeiro pensava sobre sua noite. Ele que era um andarilho acostumado a estar sempre só, sentiu solidão. Queria algo pra alegrar seu coração. Pensou nos quatro entes. Ele não havia visto o quarto ente ainda. Sem querer admitir, o caixeiro começou a desenvolver uma certa ansiedade de entrar no castelo novamente. Lembrou-se das paredes internas e da porta com as quatro faixas paralelas... O corredor com a figura do cisne... As três belas mulheres... Enfim, o caixeiro começou a sentir saudade.

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 2

A segunda noite do caixeiro no acampamento camponês foi bastante tranquila. Nenhum movimento vinha do castelo - que por vezes o aterrorizava. O Castelo Celeste parecia estar parado. Ele era tão azul que parecia ser transparente, quando visto sobre o tênue azul do céu. E o caixeiro, por fim, despreocupou-se. Fez festa com os camponeses, bebeu, comeu e dançou. Como aquele povo podia ser tão feliz, todos os dias? Ele não entendia...

O Caixeiro Viajante - Parte 3/4: Dia 1

O dia começou calmo. O caixeiro pensava e repensava em seu sonho. Teria mesmo aquilo sido um sonho? O caixeiro não poderia responder. Ele saiu da barraca da jovem mulher que lhe acolheu - a mesma que havia lhe dado de comer - e olhou o céu. A chuva que havia caído ontem parecia ter ido embora. Ao longe, o caixeiro observou, nas escadarias do castelo, uma mulher, aparentemente mais velha, vestida em anil. Seu manto caía de seus ombros como uma cachoeira. Por vezes, o caixeiro pensou ter visto as vestes da mulher mudarem de cor. Viu relances de vermelho, branco e azul. Mas o vestido era anil, seus olhos não podiam enganá-lo. De repente, reconheceu a mulher. Como era mesmo o nome dela? ...Ariel. Então, como se tivesse percebido que estava sendo observada, Ariel entrou de volta no castelo.

13 de fev de 2010

O Caixeiro Viajante - Parte 2/4

O caixeiro se viu fora do Castelo Celeste. Por um momento, pensou ser um truque da
mágica das três mulheres... Não. Não poderia ser. Elas não pareciam ter algum poder.
Será que aquele corredor tinha algum poder mágico? Será que perdi a consciência? Não
fazia sentido...

Seu pensamento foi interrompido por um garoto:

- Moço? Tudo bem com você?

Somente com a pergunta do garoto que o caixeiro se deu conta do lugar onde se
encontrava. Ainda estava dentro dos muros. Ao longe, o Castelo Celeste. No
descampado, as mesmas aldeias. A terra onde deitava estava molhada; o caixeiro logo
deduziu que uma chuva tinha acabado de terminar.

- Moço?

- Estou bem, garotinho - disse.

O garotinho abriu um sorriso tão inocente que fez com que o caixeiro sorrisse também.
Correu na direção de uma das barracas:

- Mamãe, mamãe, ele está bem!

O caixeiro se levantou e olhou novamente para o castelo. Quis entender o que havia
acontecido. Em pé, à frente da porta principal, a mesma jovem que disse o esperar em
seu sonho. Ela parecia vigiá-lo de longe...

- Ah, aí está você - disse uma senhora, que o caixeiro instintivamente adivinhou ser
a mãe do garotinho. - Então você finalmente acordou. Venha, coma conosco.

- Onde estou? - o caixeiro não se aguentou.

- Este é o Reino Celeste.

- Reino Celeste... Nunca ouvi falar.

- Não é muito conhecido, pois poucos viajantes se interessaram em entrar aqui. Alguns
têm medo.

- E quem governa estas terras?

- Não há governantes. Nós governamos a nós mesmos.

- Então quem mora no castelo?

- Os quatro entes.

O caixeiro tremeu.

- ... quatro?

- Sim. Kerub, o corpo azul; Seraph, o espírito branco; Ariel, a mente anil; e
Tharsis, o coração vermelho.

O caixeiro não podia acreditar. Começou a duvidar que tenha sido um sonho... Sua
cabeça estava confusa.

- E por que eles moram lá?

- Eles são a essência do nosso povo. Nós somos eles, e eles são nós.

- ... não entendi.

- Não se preocupe em entender. Imagine apenas que eles são as pedras preciosas, e nós
os joalheiros. Eles, por si só, já seriam plenos, mas nós os lapidamos. A harmonia é
essencial.

O caixeiro permaneceu em silêncio, pensando no que significava aquilo. Não demorou
muito, e uma jovem muito parecida com a de seu sonho foi até ele.

- Senhor? Os quatro entes o querem ver em 16 noites, a contar de hoje.

- Me ver?

A jovem sorriu docemente, se virou e caminhou em direção ao castelo. Vendo a cara de
dúvida do caixeiro, a mãe aconselhou:

- Vá. Não se pode desperdiçar uma oportunidade de ir até a fonte. Mas, enquanto isso,
fique conosco. Temos muito a oferecer!

E sem que o caixeiro se desse conta, já havia várias fogueiras e camponeses tocando
músicas e dançando. Era impossível não se contagiar com aquilo.


... e então se passaram as 16 noites.

10 de fev de 2010

O Caixeiro Viajante - Parte 1/4

O título é batido pra quem fez o mesmo curso superior que eu. Mas a história é o que importa, então, vamos lá.

Era uma vez um caixeiro viajante. Desses que andam estradas e estradas vendendo suas bugigangas. Um dia, esse caixeiro passou em frente a um castelo. Quando viu o castelo pela primeira vez, o caixeiro pensou que fosse apenas mais um castelo, como todos os outros. Muros altos e um portão bonito, mas pouco atraente.

O caixeiro não quis entrar, a princípio. Mas, como se soubessem que ele estava ali, em frente ao castelo, o portão começou a abrir. Quando o grande pedaço de madeira desceu ao chão, encostando na outra margem do fosso que cercava o castelo, ele pensou que provavelmente eles estariam o convidando a entrar.

Sem saber porque, ele foi.

Lá dentro, o caixeiro se impressionou. Cercado pelos muros, haviam muitas barracas e aldeias no descampado do castelo. Muitos camponeses se reuniam em festa. Cantavam, dançavam e acendiam fogueiras. O caixeiro nada entendeu, pois apesar da pobreza aparente, os camponeses eram muito felizes.

Mais adiante, já perto da grande construção em pedra sabão que era o castelo, o caixeiro avistou uma pessoa na porta. Era uma figura toda em azul, que parecia esperá-lo. Ao se aproximar, percebeu se tratar de uma jovem, extremamente atraente. Ele se lembrou de uma de suas histórias ao olhar para a jovem. Quando se aventurou na região perto de sua terra natal, conheceu uma pessoa muito parecida com a jovem. Mas isso é uma outra história...

A jovem, quando da chegada do caixeiro, disse:

- Esperávamos você. Venha...

A voz dela parecia sumir no vento.

O caixeiro pensou estar sonhando. Como sabiam da chegada dele? Como sabiam que ele iria entrar? A voz daquela jovem...

À medida que entravam pelo castelo celeste - sim, pois ele brilhava como as estrelas e era de um azul profundo e sereno - ele foi ficando mais calmo e feliz, sem motivo aparente. Seria mágica? Ele já não entendia nada, mas sentia-se profundamente atraído por aquele lugar...

Eles chegaram a um portão, que tinha quatro faixas paralelas no meio: branco, azul, anil e vermelho. Quis entender o que significava aquilo. Foi quando os portões se abriram e, sem que a jovem falasse, ele entrou, como se já soubesse o que fazer.

Lá dentro, ele se surpreendeu. Viu três mulheres ainda mais belas que a jovem. Sentiu uma coisa intensa ao olhar para as três, mas não soube definir o que era...

Elas estavam vestidas com uma túnica simples, as quais deixavam seus belos corpos bem realçados. Cada uma tinha uma cor. E também uma idade, aparentemente.

- Eu sou o corpo - disse a jovem, que estava ao centro.
- Eu sou a mente - disse a velha, que estava à direita.
- Eu sou o espírito - disse a criança, que estava à esquerda.

O caixeiro reparou que elas se vestiam com três das quatro cores da porta: branco, anil e azul. Sem saber porque, perguntou:

- Onde está o coração?

As três se entreolharam e abriram um grande sorriso... Então, elas se recolheram à direita do salão, deixando à mostra a entrada de um corredor. Acima dela, havia um pequeno símbolo vermelho, que lembrava a figura de um cisne.

O caixeiro ficou surpreso. Não sabia como não tinha percebido o corredor antes. Não sabia o que fazer. Mas, instintivamente, ia em direção ao corredor. Começou a ter uma vontade enorme de atravessá-lo...

... mas hesitou.

Teve medo.

Então o caixeiro começou a pensar no que poderia estar se metendo... E resolveu parar. E agora ele pensa se deve ou não entrar...

5 de fev de 2010

May

Como esta, aqui vai mais uma letra de música sem arranjo.

Hey, glass one
Can your heart listen to me?
I'm here, waiting not for you
But for you to be

Hey, stone one
Do you think you can cheat me?
I can taste in your words
That you are overseas

Hey, shut one
You're afraid of what?
The future is uncertain
Never knew what you got

(chorus)
Release, let go
You didn't have to change
You didn't have to fear
Release, let go
I have some to exchange
That feeling that I'm near

If I hurt you again
I'll heal it again

You, confused one
May have already passed
And I still feel like 13th
That day I'll never forget

You, hot-hearted one
Who launched me up there
That got me laid down
And caressed all my hair

Yeah, you, melty one
I think you deserve this
At least a brick of the mansion
That you builded in a kiss

(chorus)
Release, let go
You didn't have to change
You didn't have to fear
Release, let go
I have some to exchange
That feeling that I'm near

If I hurt you again
I'll heal it...
Again...

1 de fev de 2010

Poema Elemental #3

Nota: O jogo em questão não foi exatamente assim, e os jogadores sequer sabiam das informações abaixo. Portanto, essa é uma história de ficção - duplamente qualificada.

Ventava lá em cima, mas o silêncio era absoluto. Era como se os ares tivessem ganho vida própria e guiassem o navio voador que levava os aventureiros. Lá embaixo, a Nimaídia. Ninguém falava nada, nem sabia para onde o navio os estava levando.

- Ok, pessoal, acho que entendi - falou Kranus, repentinamente. Todos o olharam, mas demoraram a se aproximar.

- Lembrem-se do primeiro pergaminho. Falava sobre a torre em que descíamos, que libertaríamos uma força misteriosa, e que teríamos um inimigo. Teve o carinha do fogo lá em Romani, que era o mestre da nossa clériga, a Katrina aqui, lembram? Ele tava possuído, e quando recobrou a consciência, viu que tinha feito bobagem e se matou. Aí, ganhamos esta gema vermelha, e toda a Nimaídia começou a esfriar.

Os outros tentavam entender onde o feiticeiro queria chegar.

- Bem, vimos um dragão que mudava de cor... - susurrou Katrina, na tentativa de quebrar aquele clima de palestra.

- Um dragão, não,
O dragão - Kranus interrompeu a gnomo. - Seguindo-o, chegamos à montanha na península do sudeste, aquele pico esverdeado. Tivemos até que mergulhar na terra. Lá, encontramos o segundo poema escrito na parede. Ele falava sobre frio sendo libertado, e que o inimigo morreria se tentasse impedir. Pelo menos foi assim que eu interpretei.

Mais uma pausa.

- Logo que o achamos, fomos atacados pelos trigêmeos. Vencemos com custo, mas aquilo me pareceu mais um teste do que propriamente um inimigo, pois depois da batalha encontramos esta gema verde. E, coincidentemente ou não, toda a Nimaídia passou a ter ventanias como nunca antes foram vistas.

As palavras do feiticeiro ressoaram com o vento. O navio havia chegado ao seu destino.

John Dumadin estava confuso. Era um bárbaro, tinha dificuldades para raciocinar com clareza. Olhou para os livros que sua mãe, Sian, lhe dera na noite em que ele a conheceu. A mesma em que ela se foi. Ironicamente, o anão, que viveu sua infância com amnésia, se lembrou do que ela havia dito em seu leito de morte.

Os pensamentos passam rápido, mas são interrompidos quando Kranus retoma:

- Agora, vejam este, que encontramos no famoso Derjan, o monte dos ventos eternos:

One can hold
this scroll of power
and access the flow
of the autumn hour

For its spell will fly
in the speed of air
bringing justice
to this evil lair

When the enemy takes
her face outta the wind
she'll sleep at once
and her soul'll be pinned

Kranus achou que todos haviam compreendido instantaneamente.

- Achamos esta gema amarela. As grandes ventanias se desfizeram. E estamos voando, não estamos? Na velocidade do ar?

Ninguém disse nada.

- Não vêem? Derrotamos o guardião da gema vermelha, um especialista em fogo, e as nevascas apareceram. Destruímos os guardiões das gemas verdes, três crianças feitas de terra pura, e as ventanias apareceram. Vencemos um velhinho que controla os ares, guardião da gema amarela--

- ... e as ventanias desapareceram! Entendi! O equilíbrio entre terra e ar foi reestabelecido - concluiu Abrieht, sorridente. - Ao derrotarmos um guardião, o elemento perde força, e com o desequilíbrio, o elemento oposto fica mais forte. Daí as nevascas e ventanias.

- Conclusão digna de um druida, caríssima fada - replicou Kranus com um certo desdém. - É por isso que nossas magias baseadas nesses elementos perderam força.

- Portanto, só precisamos reequlibrar o fogo e a água, e as nevascas desaparecerão? - perguntou Iluvatar.

- Exatamente. "Só" o que temos que fazer é achar o guardião da última gema, que, pela lógica, deve ser azul. E este pergaminho, o dos Ventos, contém as instruções.

Vujak, que quase nunca falava nada, surpreendeu a todos arriscando:

- E o inimigo do poema, o tal guardião, é um dragão?

- Já falei, não é um dragão qualquer! - repetiu o feiticeiro, impaciente. - Ele é o dragão que me deu estes poderes. Eu o conheço desde quando eu era pequeno. Ele está com problemas e eu... Eu preciso salvá-lo. Ele tem um bom coração, mas está diferente, mau. Ele é azul metálico, e não multi-cor como vimos...

Kranus pensou um tempo.

- Mas não posso garantir que ele é, de fato, o guardião da gema azul. E nem que encontraremos o último pergaminho. Mas é o que está escrito neste que acabo de ler.

O navio voador encontrava-se, agora, parado acima da montanha onde Kranus nasceu. Dali, Vujak viu uma enorme cratera, que aparentemente ia dar no fundo da Cordilheira dos Garens. O ranger sabia o que aquilo significava.

O grupo se entreolhou.

- Acha que essa história basta para que você nos convença a descer até lá com você? - perguntou o Bardo, ceticamente.

Kranus estremeceu. O olhar que Iluvatar lhe lançou foi tão inquisidor que ele quase sentiu que a luz que chegava ao olhos do ladino voltava para ele. Suspirou:

- E que escolha vocês têm?

Uma brisa silenciosa passou pelo convés e a vela principal farfalhou.

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