14 de dez de 2006

A revolução das máquinas... de busca

Era uma vez uma fadinha de luz. O sonho dessa fadinha era ser economista. "Quero ser economista!", dizia ela.

Um dia, a fadinha foi almoçar na casa de sua melhor amiga, uma largatinha [sic], que lhe serviu os tipos de comidas lagartense mais coloridos que haviam. Durante o almoço, a fadinha perguntou à largatinha:

- Como se chama o prefeito de BH?

- Hmm... Eu não sei. Essa pergunta é tão difícil quanto aquela: "onde surgiu o abraço"?

- É... Tem razão. Ou então "qual o antônimo de plenitude".

De repente, a largatinha falou:

- Acho que tenho que parar de comer. Estou engordando demais. Você já viu meus culotes[?] Bigger.

- Posso te ajudar. Estou lendo um livro que se chama "preparação física para cavaleiros". Nele, diz que uma espécia de chá, o chac cha, pode ajudar em dietas de emagrecimento.

A largatinha estava achando aquele papo chato.

- Que tal se fôssemos ler poemas? Poderíamos ler alguns trapos [do] Álvaro de Campos, ou o poema da flor copo de leite, ou ainda um poema katrina. Ou então, podemos entrar na Internet e ler um ditado popular, ou blogs coloridos com poemas. O que acha?

- Legal! Poderemos ler também frases que expressam tristeza. Ou frases sobre saudade, e também uma frase relacionada a decepções. Até mesmo frases de doido!

- Exato. Também poderemos trapacear no campo minado quando ficarmos entediadas com os 200611 poemas que tenho armazenados.

- Ou podemos jogar GTA[,] Sr. Anderson.

Diante do estranho vocativo, a largatinha levantou uma sobrancelha e perguntou:

- Porque me chamou de Sr. Anderson?

A atenção da fadinha, porém, se desviou para outra coisa.

- Puxa, seu banheiro e lavado [sic] são tão coloridos!

- Sim. A minha mãe, que já não está entre nós, gostava de fazer projetos de banheiros coloridos.

- Ah... Entendo. Frases, saudades, pessoas falecidas.

- E este banheiro é um dos lugares que expressam amor, saudade...

As duas se calaram por um tempo.

- Bem, que tal se procurássemos alguma coisa nas máquinas de busca da Internet?


* As expressões em negrito, retirando-se os eventuais colchetes, foram termos usados por internautas em variadas máquinas de busca, como o Google, e que os levaram a entrar neste blog que você lê agora através dos resultados.

6 de dez de 2006

Fique com o troco

(baseado em fatos reais)

Danilo estava cansado. Queria logo voltar pra casa depois daquele dia cheio de trabalho. Ele não parava de pensar na voz daquela cliente chata que ligava de cinco em cinco minutos cobrando aquela proposta e não deixava ele trabalhar na dita cuja.

Havia muitas pessoas no ponto de ônibus. Isso o animou um pouco, pois se há muitas pessoas, provavelmente é porque o ônibus não passou ainda. Mas poderia ser por que o trânsito está um caos no centro. E assim o ânimo se tornou efêmero.

Muitas meias horas depois, vem o coletivo. Naturalmente, havia passageiros tentando tomar ar do lado de fora, já que, na visão do motorista, este ar ocupava um espaço onde poderia haver mais passageiros. "Eles nunca param de pegar gente, não importa o quão cheio está o ônibus", pensava Danilo, já com um princípio de irritação. É, princípio, ele era muito paciente.

Quando conseguiu chegar à roleta depois de entrar no ônibus, ele tirou a carteira e reparou que não tinha trocados. Nem mesmo notas de dois, só tinha uma nota de dez reais. Deu a nota ao cobrador, girou a roleta pra ocupar o espaço menos desconfortável que havia depois dela e esperou o troco.

- Não tenho trocado. Pode esperar um pouco?

"Malditos cartões magnéticos. Um coletivo cheio desses e ninguém paga em dinheiro?" O pensamento de Danilo começou a se enveredar por uma via perigosa.

É claro que o trânsito estava ótimo, ainda mais com a obra na principal avenida que dava acesso ao seu bairro. A obra havia simplesmente fechado metade das pistas, e a pista exclusiva para ônibus, de modo que as pistas laterais agora recebiam tipo o triplo do tráfego. "E eu nem votei nele", pensou Danilo.

O ônibus foi chegando perto do ponto onde Danilo desceria, e o cobrador sequer olhara pra ele. Ele começou a ficar tenso. E o ônibus foi parando, esvaziando, até que Danilo perguntou.

- Moço? Vou descer no próximo ponto, poderia me dar o meu troco?

- ... olha, moço... Eu não tenho o troco integral. Tenho apenas 8 reais inteiros, não tenho 15 centavos. Faz o seguinte, amanhã eu te dou quando você pegar o ônibus de novo, pode ser?

- Não! Eu tenho que descer, então abaixa o preço da passagem!

- Amanhã eu te dou, moço, sério!

Argumentar com um passageiro a esse respeito era demais. O ônibus já havia parado e todos estavam olhando aquela discussão. Danilo, pê da vida mas sempre paciente, resolveu descer sem os 15 centavos. E como ele sempre fazia quando estava sozinho, não parava de pensar naquilo. E foi ficando com cada vez mais raiva.

Chegando em casa, tentou respirar. "Bem, deixa isso pra lá. Ainda bem que acabou esse martírio."

Toca o telefone.

- Alô, Sr. Danilo? Você não gostaria de um cartão exclusivo para clientes da Americanas.com?

22 de nov de 2006

Os Anões

Exercício de memória: demos nome aos anões, da esquerda para a direita. Veja comentários.


O mais importante hoje, porém, é a quantidade de anões. Se é que você me entende.

7 de nov de 2006

Vão

Então. Aí eu entrei no banheiro do Diamond e fui lá para as... hmmm... "cabines". Um jeito estranho de se começar um texto, tanto sintática quanto semanticamente. Bem, não é o ponto aqui.

Lá dentro estava eu, e algo me chama atenção. Não sei para que ponto da "cabine" você, leitor, olha durante aquele tempo. Mas eu não tenho nenhum lugar em especial, nenhum ponto fixo. Normalmente o cérebro toma conta e fico cego durante um tempo. Cego no sentido de olhar pra qualquer lugar e não ver nada.

Porém, naquele instante sublime de tempo, meus olhos se reanimaram sozinhos e enviaram uns impulsos elétricos. Pois naquele instante, vi o motivo deste artigo.

O vão.

Pensem. Porta à frente, parede atrás, paredes dos lados. Privacidade, certo? Porém, nessas paredes dos lados, há um vão, um esquisito, deslocado e intrigante vão, que as impede de encontrar com o chão. E isso só acontece em banheiros de shopping, se não me falhe a memória (a tal velha que joga comida fora a guarda o título deste blog).

Por que? - eu pergunto. - Por que, nos sete círculos celestes, existe aquele vão, ó vida?

Circular o ar? Ora, isso seria dividir o mau cheiro entre todos (desculpe, você não precisa imaginar esta cena). E depois, os boxes são abertos por cima. Já circula ar suficiente por ali.

Negócios ilícitos? Só pode ser. Quem iria desconfiar de uma dupla de mau-encarados que escolhe "cabines" convenientemente colocadas uma ao lado da outra? Ali dá pra passar dinheiro, drogas, celulares, enfim, qualquer coisa que possa ser ilícita. Até uma mala cheia de dinheiro.

Fiquei pensando durante um tempo, até que percebi que dava pra ver o outro box através do reflexo no chão. Piso de granito, bem cuidado e limpo, mais uma iluminação boa. Dá nisso. E aí, espionagem passou a ser um motivo para o vão.

Sorte que saí precisamente quando entrou alguém na "cabine" ao lado...

24 de out de 2006

4 atos para um aniversário



Balão e preguiça e namorada e Super Mario.
É gol.

17 de out de 2006

Querência

Esse período eleitoral me fez descobrir o quanto eu gosto de política. Esquisito, mas eu realmente gosto. Tanto que, vendo os candidatos, principalmente na eleição proporcional, me despertou um desejo mais estranho ainda. O de ser político. Me imaginei sendo um grande vereador, sendo, de fato, um representante da população. Depois, sendo um grande prefeito, "o melhor prefeito que BH já teve nos últimos anos, com mais de 95% de aprovação popular". E Deputado Federal. Governador. Senador. Presidente.

Depois eu reprimi a idéia. Pensando melhor, eu gostaria mais é de ser um teórico, e não um prático. Estudar os movimentos partidários, a nova cara da política brasileira, mudanças nas eleições proporcionais, claúsula de barreira, esquerda e direita. Até leio alguns artigos na Wikipédia a respeito. "Lista de Senadores do Brasil, desde o Império" é um bom exemplo.

Mas esse não é o assunto principal do artigo. Isso foi só a introdução para discorrer sobre meus desejos estranhos. Como o de ser membro de uma grande banda. De ser ator de teatro. De ser ator de novelas. De ser um grande diretor de cinema. Ser jogador de futebol. Ser técnico de futebol, até chegar à seleção e ser campeão, mesmo criticado por não ter convocado o Ronaldinho Gaúcho ou escalado o Luizinho Santos.

Ser jornalista. Talvez fazer televisão, noticiário de esportes. Ou colunista de um grande jornal. Muita gente me diz que eu escrevo bem. Ser um poeta. Se bem que estou meio devagar no gênero lírico.

Ser o diretor de tecnologia de um órgão público. Só pra diminuir os gastos com softwares. Ou então, ser uma pessoa respeitada no meio da tecnologia. Tipo Ministro da Ciência e Tecnologia. Pra fazer as coisas do jeito certo. Ou exercer influência na direção certa.

Ser economista. Economia é uma coisa que eu aprendi a gostar na faculdade. Aliás, ser professor de faculdade. Ou professor de qualquer coisa que envolva uma turma de aluno (professor particular não). Deve ser divertido.

Eu ainda quero ser garçom de buteco por um dia. Ser simpático com as pessoas, de graça. Também pra receber a simpatia das pessoas de volta. Estimular sorrisos. E também pra receber algumas reclamações de conta errada. Os 10% são opcionais. Ou então ter o meu próprio buteco. O famoso Bar do Amendoim, onde haverá amendoim, daqueles com sal, de graça nas mesas. Outras variedades de amendoins estarão no cardápio como tira-gosto, e esses sim, com preço.

Porém, disso tudo, ou não serei, ou ainda não sou. Alguns projetos levo pra frente, outros ficam só na idéia. E essa mistureba toda me faz ser um anônimo na sociedade, mas um famoso pra quem me importa ser famoso. Que frase bacana.

Sou anônimo na sociedade, mas famoso pra quem importa. Vide artigo anterior.

Prefiero que pregunten porqué no tengo un monumento a que pregunten porqué lo tengo.
- anônimo


6 de out de 2006

Auto fama

Eu sou famoso!

É, eu sei, sou famoso só pra mim mesmo. E eu sei que isso não vai trazer dinheiro. E... mas... hmmm...

Bem, eu sou famoso, oras!

21 de set de 2006

O Estranho Fenômeno

Então eu abri um bloco de notas, decidido que queria atualizar meu blog. Sim, mesmo sabendo que a ânsia em atualização podia resultar em má qualidade.

Então essa própria idéia me cai como uma bomba. Sim, eu hei de escrever sobre o que não foi escrito.

Essa idéia têm várias facetas. Eu poderia escrever sobre o motivo de eu não ter escrito tão freqüentemente quanto antes. Eu acabaria dizendo que é porque não tive nenhum assunto que merecesse um texto, incluindo, mas não limitado a, idéias malucas, comportamento humano, conflitos sentimentais e/ou existenciais e eventos cabalísticos relacionados à fenômenos da natureza.

E depois eu acabaria dizendo que essa falta de assuntos-merecedores-de-texto se devia à vários fatores, incluindo, mas não limitado a, falta de tempo pra fazer alguma bobagem (e falta de tempo pra pensar sobre ela), falta de memória (pois várias vezes penso em assuntos simples, mas bacanas, porém nunca chego a lembrar deles posteriormente), tranqüilidade na vida, esse tipo de coisa.

E, por fim, acabaria por concordar com Vinicius, o branco mais preto do Brasil.

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
- Samba da Benção [Vinicius de Moraes]


Um grande amigo meu disse que não há melhor coisa pra acalentar um coração triste que a escrita. O conselho dele era esse. "Está triste? Escreva. Muito. Não precisa fazer sentido. O sentido vai vir do texto, sozinho."

Mas será essa uma mão de duas vias? Digo, será que é realmente preciso estar sentindo algo próximo de perturbação, questionamento, crise existencial, tristeza ou qualquer nome que se dê a isso para escrever com beleza?

E não é só comigo que isso acontece... Alguns dos meus leitores-blogueiros também andam bastante parados. Pode não ser pelo mesmo motivo, inclusive há alguns que realmente custam a escrever, mas antigamente escreviam muito...

Seria isso um questionamento? E é por isso que estou escrevendo esse texto?

Frase aleatória: se você souber que é o The Giant, eu recomendo muito que você até o site dele. Às vezes fico até 2 da manhã relendo as antigas.

Ah, e aproveite para apertar botões vermelhos no caminho.

7 de set de 2006

Post Nerd

Eu comprei um roteador wireless e duas placas de rede, também wireless. Agora eu tenho uma rede sem fio aqui em casa.

Só a título de informação:

Primeiro, fiz o update do firmware do meu modem ADSL, que uso pra conectar ao Velox. Na verdade, esse procedimento nem era necessário, mas acabou sendo por razões que eu vou explicar mais tarde. Então, o que fiz foi baixar o programinha que atualiza o firmware do SpeedStream 5200 série E240. Ele oferece uma interface web pra configuração, que eu usei pra definir dois modos de operação: um bridge (em que ele deixa o roteamento e a autenticação para o computador que estiver ligado nele) e um router (no qual ele faz a autenticação e o roteamento dos pacotes).

Isto feito, liguei-o no roteador wireless. O roteador também oferece uma interface web para configurá-lo. Configurei a minha rede sem fio, os parâmetros da WAN (que é o Velox) e da LAN (que é a rede dos meus computadores aqui em casa).

Aí, foi só instalar a placa de rede nos computadores e voilá! Internet sem fio.

O engraçado foi que o roteador oferece uma opção para autenticar em redes PPPoE (que é o protocolo que o Velox usa), mas quando tentei fazer isso, colocando o modem ADSL em modo Bridge, não funcionou. Estranho. Aí, pus o modem como router sem servidor de DHCP, configurei um IP fixo no roteador wireless cujo gateway era o modem ADSL, também sem servidor de DHCP. Assim, fico com dois firewalls naturais.

O único problema vai ser fazer port forwarding duas vezes. Mas tudo bem.

Agora, é simples fazer um computador entrar na rede: basta digitar de gateway o IP fixo que defini para o roteador wireless.

Legal, né?

1 de set de 2006

Poema Elemental #2

Quando as meninas chegaram à plataforma, se deram conta de que estavam, na verdade, em uma câmara circular. As paredes tinham inscrições, mas ali estava um breu total.

- Um pouco de luz aqui - disse a fadinha Abrieht, fazendo um movimento com as mãos. Um minúsculo ponto de luz surgiu em suas flechas-palito.

Hezeltine levantou a sobrancelha.

- Hmmm... Isso não me é estranho - disse.

- Eu também já vi isso antes em algum lugar - concordou a pequena Katrina.

O esforço da lembrança das três foi subitamente interrompido por um murmúrio fraco, como vozes vindas de muito longe. Ao que parecia, do outro lado da câmara.

Foram na direção que julgavam ser a mais retilínea possível. À medida que se aproximavam, as vozes ficavam mais claras - e familiares também.

- John! Bardo! Kranus! Como chegaram aqui?

- Nós é que perguntamos - disse o Bardo. - Viemos por dentro da montanha, depois que todo mundo ficou cego e as cordas que usamos pra nos amarrarmos uns aos outros se partiu misteriosamente. Mas vocês chegaram pelo outro lado!

John, como um bom anão, resmungou.

- Isto está muito chato. Preciso beber um pouco.

- Bem, depois - a pequena fada ansiava por contar das inscrições na parede. - Gente, nós achamos lá do outro lado umas inscr...

Interrompeu-se ao ver que, deste lado, de onde acabavam de chegar Iluvatar e Vujak, também havia inscrições.

- Ah, oi galera - disse o ranger.

- Agora que estão todos aqui - prosseguiu Kranus -, dois dos quatro pergaminhos estão reproduzidos nas paredes. Só que, aqui, temos dicas. Veja ali em cima.

Havia uma espécie de título, que dizia "Mu Sonem".

O Bardo parecia ter decifrado a charada.

- Mu Sonem... Mu Sonem... Espere!

- Sim - concordou Kranus. - "Mu Sonem" é "Menos Um" ao contrário.

- Então... Então se pegarmos a letra anterior e invertermos o que está escrito, teremos decifrado o poema? - perguntou Katrina.

- Exato - falou Bardo. E recitou.

One can hold
this scroll of power
and possess the strength
of the winter flower,

for its name is set
to unleash the cold,
and the secrets of balance
shall be unfold.

If the enemy dares
to break the snow,
his spirit will flee
from the very timeflow.


- Odeio poesia - disse John.

28 de ago de 2006

A Lagartinha e o Ponto de Ônibus

Início de tarde de sábado. Sol forte, brisas noroeste leves. Estávamos no ponto de ônibus, abaixo de uma árvore, onde tudo parecia transcorrer da maneira mais normal possível.

Não, não estou falando do ponto, estou falando da árvore.

De repente algo acontece, e a pobre lagartinha minhocóide cai no meio da rua de mão dupla. Carros e ônibus e motos e bicicletas e mulheres de salto alto, indo e vindo a todo instante. Naquele momento ela estava iniciando a caminhada (rastejada?) mais importante de sua vida: a caminhada (rastejada?) PELA sua vida.

Eu observava. Ela estava tensa.

"Meu Deus, um carro azul vem de lá! Ele vai desviar daquele buraco! Cuidado!"

O carro passa perto. Depois uma moto, que passa longe.

Uma van. A Lagartinha está na linha da roda! "Ah, não quero olhar!"

A van tinha desviado do tal buraco. A Lagartinha sobreviveu por um triz. E continuava a sua caminhada (rastejada?) homérica até o meio-fio. A essa altura, estava exatamente na linha imaginária que separava as duas mãos de direção.

Os veículos que passavam do outro lado, e anteriormente não ofereciam perigo, agora eram o principal foco de desvio. Eu torcia pela Lagartinha. Ela estava realmente tensa.

Outra moto. Por algum motivo estranho, ela invade a contra mão e volta, errando-a por muito.

Um carro! Lá de longe. Ele vem vindo, vem vindo...

Por um breve momento, bem breve mesmo, a Lagartinha some atrás da roda do carro. Então, reaparece rolando no asfalto, arrastada pelo vento que o carro produziu.

Uma rolada, os aproximadamente cem pés no chão de novo, bola pra frente.

Outro carro. A Lagartinha estava, novamente, na linha do pneu. "Dessa vez não tem jeito!" E o carro vem...

E faz a Lagartinha rolar mais duas vezes. Ela começava a ficar tonta, fazendo um ângulo não tão perpendicular assim com o meio-fio. Não era o caminho mais curto. Faltava um meio metro para a segurança do passeio (algo como uns dois vírgula oito quilômetros lagartenses).

Veio um ônibus. Era o que a íamos pegar, mas ele estava indo no outro sentido. Ele desce a rua adjacente... e vai na direção da Lagartinha!

Por sorte, o ônibus precisou abrir a curva pra fazê-la, e passou pela contramão.

Uma moto... Passou perto.

Um carro... Mais uma rolada.

Outro carro... Por um pentelhésimo de cabelímetro!

Veio o ônibus no sentido certo. Pegamos o ônibus bem a tempo de ver a Lagartinha a alguns centímetros do meio-fio, mas jamais saberemos se ela sobreviveu àquilo que, com certeza, foi a maior aventura de sua vida lagartense.

Aposto como ela foi recebida como heroína na Árvore, e cheia de histórias de aventura pra contar. E os filhos, netos, bisnetos e toda a descendência da Lagartinha será venerada para todo o sempre.

"Uma forma de se aproveitar o máximo da vida é olhar para ela como uma aventura."
- William Feather


14 de ago de 2006

Aquele ditado

Perdi minha última queda de truco. No liso. Os dois jogos.

Também não venci a última roda de Mau-Mau Voador Two-Thousand O-Five. Fui eu quem ficou com o maior número de cartas.

Da última vez que joguei Copo D'água, eu fiquei bêbado. Tomei algo em torno de dez doses de pinga.

Na verdade, nem me lembro quando foi que venci pela última vez em um jogo de baralho.

Na última roda de Assassino, eu era o Detetive. Todas as Vítimas morreram. E olha que eram muitas.

No Campo Minado, eu usei um código pra trapacear e saber onde havia minas. Mesmo assim revelei, sem querer, um quadrinho onde havia uma.

As cartas se acabaram e ainda faltava um ás pra ser descoberto. Perdi no Paciência.

Quando joguei Street Fighter pela última vez, o Ryu me venceu no terceiro round. Aquele apelão. Isso porque ele roubou pois uma rasteira que eu havia dado nele simplesmente atravessou o corpo dele.

Quando joguei Sid Meyer's Alpha Centauri pela primeira vez, a Coronel Corazón Santiago, dos Espartanos, me declarou guerra já no início. E, é claro, eu perdi.

No basquete, não ganhei nenhuma partida da última vez. Eu joguei quase todas.

Na última pelada, meu time perdeu.

O Cruzeiro perdeu ontem.

... não é maravilhoso?

8 de ago de 2006

A long time... after

Ah! É bom estar de volta. Como dira um sujeito aí, tive um exílio bloguístico, nesse caso não auto-imposto. Excesso de trabalho. Excesso mesmo. Tipo, 16 horas por dia. Bem. The dark times are over.

Eu tive vários assuntos em mente pra escrever durante estes dark times. Incrivelmente, eu ainda tinha tempo pra pensar neles. Só não tinha tempo de escrever. Portanto, vou deixar pra escrever sobre eles num futuro próximo.

Hoje, vou falar em algo que pensei ontem, numa estranha noite de segunda-feira que parecia mais um domingo à tarde. Falarei sobre a estranha e incrível capacidade que temos de conversar com nós mesmos.

Não lhes soa estranho o fato de falar sozinho? Porque temos que verbalizar as coisas pra que fiquem mais claras na nossa cabeça? O pensamento não tem gramática, conseguimos completar um sem necessariamente termos que formular orações completas em nossos cérebros.

Será?

Ontem, ao voltar da casa de uma amiga que vai para o Canadá na semana que vem, vim pensando muito, meus pensamentos sempre eram orações completas.

Isso, por si só, já seria estranho e incrível, mas o mais ainda é que apesar de saber as respostas que eu mesmo vou dar pra mim mesmo, eu continuo conversando normalmente, como se aquele monodiálogo fosse me passar algo novo.

Mais incrível ainda é constatar que, de fato, eu passo algo novo pra mim mesmo. É como construir novas casas a partir dos mesmos tijolos, bastando dispo-los de uma maneira diferente. E, assim, conseguimos estar em um ambiente mais agradável para fabricar outros tipos de tijolos.

Também é impressionante saber que nunca se enjoa de conversar consigo mesmo. Já enjoaram de conversar sozinhos? Pode ser que sim, mas, particularmente comigo, isso jamais aconteceu. Vim cercado pelo meu hipocampo, vagando sem destino em um espaço limitado e infinito, não me senti preso ou só. Vim bem acompanhado.

Feliz pensar e conversar pra todos.


Agradecimentos a daemon, priska, rocks, ana, babs, muza, volanin, zé, ^ana^, transeunte, lex, rita, heide, lila, juliana, rauber, gusmao, carol dantas, rae, rainha de copas, alexandra, misha, yasmim, carol vil e helen (as irmãs biso), sely chan, mi, caitif, mateus e a todos os outros leitores anônimos que juntaram mais de 5 mil trapos coloridos durante este primeiro ano de vida deste espaço, completado no último dia 15. Em especialíssimo à minha querida girlfriend bêibi mila. Luvya!

12 de jul de 2006

Distorcendo

Outro dia cheguei em casa muito tarde depois de trabalhar um bocado, e enquanto comia alguma coisa pra não dormir com fome, liguei a televisão. Na tela, a cara do David Letterman. Fazendo algumas piadinhas que só os estadunidenses entendiam.

Pois bem, eis que começa uma matéria com um cara num rodeio. Em um dos momentos da matéria, ele diz que provaria que todas as frases viram safadeza se você adicionar ao fim dela "se é que você me entende".

Só mostrou um cara sendo entrevistado, e a frase realmente ficou com um sentido malicioso. Não me lembro agora qual frase era.

Mas depois, fiquei me perguntando se isso realmente era verdade. Então, experimentei algumas frases.

Eu gosto de chocolate, se é que você me entende.


O sol está forte hoje, se é que você me entende.


Meu computador é lento, se é que você me entende.


Realmente, frases inocentes se tornam um tanto quanto maliciosas. Se não for o caso, elas ficam ou sem sentido ou completamente malucas. Mas mesmo assim, resolvi experimentar algumas frases mais, digamos, exatas.

Dois mais dois é quatro, se é que você me entende.


Como vêem, também ficou maliciosa. Mas vejam essa:

A integral de xis ao quadrado sobre dois é xis, se é que você me entende.


Esquisito.

Sendo assim, declaro que a frase "se é que você me entende" é a frase mais deturpadora do mundo. Se é que você me entende.

7 de jul de 2006

Religião Má

De volta com as músicas. Apesar de não corresponder muito à realidade ultimamente, porque não tô tendo tempo nem mesmo pra usar o meu próprio, a letra é bacana.

I love my computer
you make me feel alright
every waking hour
and every lonely night

I love my computer
for all you give to me
predictable errors
and no identity

And it's never been quite so easy
I've never been quite so happy

All I need to do
is click on you
and we'll be joined in a soul-less way
and we'll never ruin each other's day
'cause when I'm through I just click
and you just go away

I love my computer
you're always in the mood
I get turned on
when I turn on you

I love my computer
you never ask for more
you can be a princess
or you can be my whore

And it's never been quite so easy
I've never been quite so happy

The world outside is so big
but it's safe in my domain
because to you
I'm just a number
and a clever screen name

All I need to do
is click on you
and we'll be together for eternity
and no one is ever gonna take my love from me
'cause I've got security
her password and a key
- I Love My Computer [Bad Religion]


2 de jul de 2006

Nem tão especial assim.

Queriam o futebol bonito? Ei-lo.



"Como jogar futebol", best-seller de Zinedine Zidane.

27 de jun de 2006

Especial: Trocadalhos do Carilho

O ônibus da seleção acaba de sair do hotel. A escalação é a mesma dos dois primeiros jogos.

É hora do Brasil jogar com muita gana e vencer.

O engraçado é que eu não ouvi este trocadilho infame até agora na cobertura da imprensa.



Nelson; Marcos, Lucimar, Rruan, RC; Emerson, Zero, Assis e Ricardo; Pança e Imperador.

22 de jun de 2006

Especial: Quebrando a coincidência

Hoje, 22. Dois meses. Eu e ela, dois.

Dois a zero? Só se for em cada tempo.



Em tempo: quando perguntei às pessoas se elas também tinha achado que o Brasil jogou mal, disseram "claro, não era isso o que esperávamos". Acho que jogar bem é muito aquém do que se pode esperar da Seleção. Não jogou tudo o que sabe, mas jogou bem. Ponto.

Tem outra coisa. Nas propagandas da Nike, não havia adversários do outro lado querendo a todo custo ganhar dos atuais campeões mundiais e favoritíssimos à mais uma conquista...

19 de jun de 2006

Especial: Contra a maré

Ok, ok, ok. Dizer que o torcedor é exigente e quer ver espetáculo sempre, tudo bem. Mas imprensa ser mais exigente que a torcida, é a primeira vez que vejo.

Ouvi dizer que a Austrália não mereceu perder. Que o Ronaldo estava péssimo em campo e que o Brasil não jogou nada. Nada? Isso não é desmerecer o time adversário, que muito lutou e jogou todo, repito, TODO o seu futebol pra perder só de 2 do Brasil?

Que lance do Ronaldo com o Kaká. Um balãozinho pra trás e um chute de primeira. Tabelinha Ronaldo-Ronaldinho, com participação do Kaká. O próprio lance do primeiro gol, Ronaldo atrai três australianos pra marcação antes de assistir Adriano. Kaká cabeceando uma pedra na trave, grande cruzamento de Ronaldinho.

Acho que se criou expectativa demais. Culpem a Nike. Parece que todos os brasileiros caíram no plano maligno da empresa americana. "Criem expectativa, sim, e cobrem muito dos seus jogadores." Pois sim.

Mas também acho que estamos no caminho certo. Eu garanto que vi o mesmo jogo que todo mundo, e muita gente discordará de mim, mas digo assim mesmo: o Brasil, pra mim, jogou bem. Jogou o que precisa jogar. Preparo físico, tática, todos os times do mundo têm. Técnica e talento, só nós. E foi esse o detalhe do jogo de hoje.

Portanto, parem de cobrar e exaltem. A Croácia se engrandeceu diante do Brasil, e perdeu. A Austrália nunca jogou tão bem na vida (nem mesmo contra o Japão na primeira rodada), e perdeu.

Será que sou o único aqui que vê isso? :P


13 de jun de 2006

Especial: A Partida de Xadrez

Temos um Rei forte, duas Torres em posição de ataque e dois Cavaleiros os servindo. Temos tudo pra dar o mate em alguns poucos lances.

Ok, talvez não seja lá um jogo no qual a estratégia seja importante, mas que é uma partida de xadrez, isso é.



RUMUAL ÉKISSA!


5 de jun de 2006

24 de mai de 2006

Flor do Dia

Bom dia,
Rosa. És formosa!
És margarida, querida,
Copo-de-leite -- um deleite!

Bom dia,
Girassol, mi-fá-sol,
Lírio -- és um delírio,
Magnólia, quando me olha.

Bom dia,
De-lis, dos olhos gentis.
Violeta, tua silhueta,
Orquídea, merece mídia.

Bom dia, Amor-Perfeito.

20 de mai de 2006

Poema Elemental #1

O grupo já estava cansado de descer aquela torre submersa. O barulho da água era cada vez mais ensurdecedor, e o frio cada vez mais congelante.

- Achei um baú aqui nesta sala! - disse John.

- Cuidado, pode ter alguma armadilha - avisou Abrieht. - Você se lembra do que aconteceu lá em cima.

Katrina
fez coro.

- É verdade. Tome cuidado, John.

John abriu o baú cuidadosamente. Todos os sete heróis pararam por um tempo, como se esperassem que alguma armadilha mortal fosse ativada. Porém, nada aconteceu.

- O que tem aí? - perguntou um curioso Iluvatar sob o olhar mais curioso ainda de Vujak.

- Me parece um... um pergaminho. Kranus, isto aqui é mágico?

- Muito - respondeu o sombrio feiticeiro, numa voz etérea.

- Aqui, John, deixa ver - disse Bardo.

Bardo pigarreou, e começou a ler com sua bela voz.

One can hold
this scroll of power
and follow the way
down the spring tower.

For it holds still
as foundations of earth,
releasing the spell
to freedom give birth.

As the enemy cast
away from the hills,
he shall trick his mind
and himself, he kills.


- O que significa? - perguntou John.

- Não faço a menor idéia - respondeu Bardo, com toda a sinceridade que lhe cabia.

16 de mai de 2006

Pronunciamento

Atenção emissoras da rede Gude para o tope de 5 segundos.

Pi. Pi. Pi. Pi. Pi.

Faz-se neste momento rede nacional de blogs para o pronunciamento do Esquisitíssimo Sr. Lado Obscuro do Gude, Ministro da Revolta.


A todos os leitores deste espaço, bom dia/boa tarde/boa noite (escolha o seu, dependendo da hora em que ler este pronunciamento). Gostaria de pedir licença a uma amiga do meu outro Lado para parafraseá-la.

Eu, o Lado Obscuro do Gude, venho aqui para, solenemente, expressar raros sentimentos indignação e raiva. Raros porque conheço o meu outro Lado: é muito difícil vê-lo com algum tipo de revolta ou algo semelhante.

Pois bem. Ontem à noite, mais precisamente no momento em que eu me preparava para ir embora, senti falta da minha mochila. Ela fica, normalmente, numa cadeira ao lado da que eu sento para trabalhar. Essa cadeira fica perto da porta.

O fato é que ela não estava no lugar em que deveria estar.

A conclusão é que algum larapiozinho oportunista safado de m**** deve ter se aproveitado de um pequeno momento de distração -- quando eu e meu chefe estávamos muito ocupados trabalhando em outros computadores que nos fazem ficar de costas para a porta -- para sorrateiramente se apropriar da mochila.

Não sei que lucro ou benefício ou o que quer que seja um sujeito de pouco porte destes pode ter fazendo uma coisa tão ridícula.

O que havia na mochila? Do menos para o mais importante: fichas de jogadores de RPG (mais precisamente, 13 fichas de personagens), CDs de MP3 e de música, chave de casa, uma carteira sem dinheiro e com uma permissão para dirigir (o nome oficial da provisória), um cartão de banco e um cartão de vale-transporte vazio, um diskman MP3 e as chaves do meu escritório.

Duvido que um indivíduo mal ajustado como esse saiba o valor que tem um MP3 player como o meu. Nem é valor financeiro, mas desconfio que pra ele, de nada adianta um equipamento desses. O cartão de banco e de vale-transporte já foram bloqueados, o que os torna inúteis. Quanto às chaves do escritório, já estamos providenciando a troca das chaves.

Portanto, o que o safado conseguiu foi uma mochila com alguns CDs (nenhum original), e um diskman. Para ele, acho que só a mochila é útil. Talvez nem isso.

O que me revoltou mais foi que eu só consegui bloquear o meu cartão de banco hoje. Ontem, logo que percebi que estava na mão de terceiros, liguei para a central de atendimento do tal banco para bloqueá-lo. Simplesmente para ouvir a mensagem dizendo que os atendentes estavam fora de expediente.

Veja bem. Uma operação crítica, crucial e que tem que ser imediata, como o bloqueio de cartão, é feita por pessoas que somente trabalham no horário comercial. Em outras palavras, enquanto um ladrão pode estar gastando o seu dinheiro por aí, o banco mão-de-vaca se recusa a contratar mais gente para trabalhar fora do horário comercial. E o seu dinheiro que se ****, o deles é mais importante.

Aos leitores regulares, peço desculpas pelo eventual palavreado. Mas uma situação dessas é realmente revoltante. E como estou num estado irritantemente raro, me dou o direito de falar algumas poucas coisas.

Obrigado pela atenção de todos, mas, sinceramente, espero que vocês não tenham que me ver nunca mais.



Desfaz-se neste momento rede nacional de blogs que transmitiu o pronuciamento do Esquisitíssimo Sr. Lado Obscuro do Gude, Ministro da Revolta. Voltamos com a nossa programação normal.

A esta moça, peço perdão. Não é uma história engraçada. Eu já estava com uma na ponta da língua (ou dos dedos), mas forças externas me impediram de escrevê-la. No próximo artigo eu escrevo com calma.

8 de mai de 2006

Eu, Imperador

Vim
Do mundo real (acho eu).
No breu, uso o meu grande olho.
Informações colidem.

Vi
Depois da oitava casa
Alguns números que diziam:
Há muito não faço poemas.

Venci
Minha vontade de não-criar.
Uma página em branco
Cursor e letras piscantes.

Eis, aqui, o resultado.

Vivi.

6 de mai de 2006

Gude x 6556

Primeira batalha: Quinta-feira, 18:30.

Eu me encontrava atrasado para ir ao dentista no centro da cidade. O meu horário era às 19h. Quando cheguei ao ponto, olhei para a esquerda e o vi chegando. Tinha dois deles, mas o primeiro era o carro 6556. Quando olhei para o outro lado, ou seja, para o trajeto que o ônibus faria, constatei sem nenhuma surpresa que o trânsito estava absurdamente lento. É claro, Muprhy diria que é normal estar atrasado para um compromisso e o tráfego não ajudar. É só uma aplicação da lei.

Resolvi descer a pé, da Savassi até a Praça Sete.

Fui contando as horas, os minutos e segundos. Eu realmente estava atrasado. Escolhi pegar um trajeto mais retilíneo, portanto fui até a Espírito Santo e não saí mais dela. Eis que, quando eu chego no ponto onde eu teoricamente desceria, lá está ele: o 6556. Eu teria levado o mesmo tempo se o tivesse pego.

Resultado da batalha: em termos de tempo, empate, mas como eu me diverti à beça imaginando quem chegaria antes durante o trajeto (eu ou o ônibus), não me estressei com o trânsito lento, economizei R$ 1,85 e ainda fiz um exercício pras pernas, eu levo vantagem. 1x0.


Segunda batalha: Sexta-feira, 22:00.

Fui conferir meu dinheiro da passagem. Ironicamente, estava faltando 40 centavos. Passou pela minha cabeça a absurda idéia de pedir pra alguém no ponto, mas não. Resolvi ir a pé novamente. Porém, a essa hora, o trânsito era bem mais leve. Os ônibus fatalmente seriam mais rápidos que eu.

Só pra tirar a prova, não fiz o trajeto mais rápido. Segui pelo itinerário da linha.

Incrivelmente, não vi nenhum ônibus da referida linha passar por mim. Absolutamente, nenhum. Isso me animou, pois eu teria ficado lá no ponto esperando até agora.

No meio desse pensamento, veio um. Porém na direção contrária. Ele estava subindo a rua para dar a volta na Savassi e voltar. O número do carro? 6556. Ele estava declarando sua revanche.

Fui descendo, descendo e nada. Com o trânsito mais leve, seria fácil ele me alcançar, mesmo tendo que ir e voltar. E a cada ponto que eu ultrapassava, um locutor imaginário dizia "E mais um ponto para ele! Esta disputa está emocionante! E quem será o vencedor?"


Cheguei em casa com um largo sorriso. Afinal de contas, eu acabava de ter feito 2x0. Meu pensamento ao entrar em casa:

I have beaten you.

27 de abr de 2006

Irmão Grande

O orkut (cuja pronúncia correta é "órcut", mas impossível reverter do "orcúti") agora possui uma ferramenta que nos possibilita saber quantas vezes seu perfil foi visitado e quem foram as últimas pessoas que o fizeram.

Uns gostaram, pois, dizem, "não tem nada a esconder, e se as outras pessoas colocaram informações no orkut é para os outros verem mesmo". Já outros desgostaram, pois, dizem, "é bisbilhotar demais, sinto-me invadido e vigiado". Tudo bem. Como diria um amigo meu, "cada qual com seu cada qual respeitando o cada qual alheio".

Mas o motivo de eu estar escrevendo isso não é a divisão das opiniões.

Ok, gostando ou não de ser observado, o que acontece é que somos sim observados e vigiados até mesmo fora do orkut. E o que me levou a tirar esta conclusão foi, mais uma vez, um fato de ônibus.

Levantei de meu assento para descer e, como já era de noite, era possível ver as pessoas que estavam dentro dos ônibus pelos reflexos na janela. Assim, dá pra observar sem que a pessoa saiba que você a está observando. Só com isso eu já provaria o meu ponto, mas o fato é que, não sabendo que eu a via, a menina em questão dava umas olhadelas pra mim, tentando descobrir que música era aquela que eu cantarolava baixinho acompanhando meus fones de ouvido.

Nos observávamos, mas só eu estava ciente. Agora, imagino quantas vezes já não fui observado sem que soubesse. Sei que acontece, pois também faço com as pessoas na rua. E é mais ou menos o que acontece agora com o orcúti.

Portanto, se ver meu nome na sua página, não se incomode de se sentir "observado". Se isso é algo corriqueiro no dia-a-dia, porque não seria na internet?

Além do mais, meu nome não é tão estranho quanto os meus pensamentos e idéias...

25 de abr de 2006

The game is never over


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QUICK'S ADVENTURE II
The Chase of the Gods

» Single Player «
Head-to-Head
Practice
Options

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SINGLE PLAYER
Choose your character:

Targe
Mint
Suna
Riya
» Gudo «

-----


GUDO
Gudo is a lonely fighter who use the power of his ki to defeat the opponents. He has no other goal in this battle than to gain a lot of experience. "A fight is never worthless", as he would say.

Special Attack: The Bear's Hug

Body: 5
Mind: 9
Spirit: 9
Heart: 7
Total: 8

Choose this character?
» Yes «
No

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Gudo selected. Loading...

Loading completed.

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CHAPTER 1
A Night at the Park

[up, down, left, right, A+START]
Kumahouyouken!

13 de abr de 2006

The Nostalgia Sessions

Treze de Abril.
Em 2001, esse dia...

Era uma sexta-feira.
Sexta-feira 13.

Era também uma sexta-feira santa.
Só que nesse caso, a paixão era de outro tipo.

Era abril.
Era abertura.

Era abril, mas era maio. Era may.
Era um talvez.

Era o Dia do Beijo.
E foi o que aconteceu naquele dia.

Por vezes, momentos especiais parecem ter vontade própria e se recusam a acontecer a não ser naquele dia que ele mesmo escolheu para acontecer.

Não percam os seus. E feliz Dia do Beijo.

11 de abr de 2006

Um quatro um, um um quatro

É uma e meia da manhã agora, e simplesmente me veio a urgência da escrita. Comecei a escrever sem saber direito sobre o que falar. E parei neste ponto final anterior pra poder pensar na próxima frase.

É, talvez eu esteja apenas com uma vontade de escrever sobre alguma coisa que não acontece. Normalmente, meus artigos neste blog têm sido quase sempre uma metáfora muito bem elaborada de meus sentimentos àquele momento. Por vezes tão elaboradas que nem mesmo eu, se os ler novamente, saberei o que eu queria dizer.

Olha, já tem três parágrafos.

Ou talvez eu queria escrever mais pra terapia mesmo. Li uma reportagem em algum lugar da Internet (putz, isso dá um bom nome de filme, "Em Algum Lugar da Internet") que muitas pessoas consideram blog uma espécie de terapia pessoal mesmo. Um grande amigo meu me disse uma vez que escrever é sempre uma boa solução pra atenuar sentimentos exagerados -- sejam eles bons ou maus. Porque, como minha irmã me ensinou uma vez, tudo, absolutamente tudo, em excesso, é ruim.

Pois bem. Acontece que, não sei, me parece ter algo dentro de mim que ainda não sei o que é, nem definir se é bom ou ruim (não, não é um alien). Tenho sentido muitas coisas diferentes em intervalos de tempo bastante efêmeros, tão que não me reconheço. Eu costumava ficar dias "curtindo" um sentimento, imaginando mil hipóteses, ensaiando muitas cenas importantes da vida debaixo do chuveiro. Post Secret.

Pra concluir, talvez eu esteja num estado de indefinição definida. Ou então estou só ficando mais velho... E com mais cicatrizes. A gente vai aprendendo mesmo sem ter consciência disso.

PS: Até que rendeu, né? Pra quem abriu um bloco de notas sem ter nada pra escrever...

PS2: É uma e trinta e nove.


4 de abr de 2006

Aventura

Nasci.

A vida imita a arte

Às vezes engano-me por querer.
Penso que todas as histórias de amor
São iguais em roteiro e em ator
E o diretor nunca tem poder.

No set não há contra-regra.
A fotografia muda, mas pouco.
O editor, este é um louco
E tudo, parece, desintegra.

Porém, alegre, constato
Que, se o roteiro é igual
Também é o seu final!

Olhem só -- último ato:
O desfecho inusitado
E o beijo apaixonado...


O poema é mais um desejo que qualquer outra coisa... Acho que não estou muito inspirado hoje.

Boa noite... :)

27 de mar de 2006

Senóide

Há poucos dias eu queria distribuir abraços, certo?

Is there a reason
Why a broken dream can never fly?
Is there a reason
You believe and then you close your eyes?
Give me a reason
Why you hide away so much inside
If there's a reason
I don't know why...
- Someone Said Goodbye [Enya]


Pois hoje, eu é que queria um.

21 de mar de 2006

Ailuropoda melanoleuca

Não é pra me gabar, de verdade. Mas muita gente me diz que meu abraço é bom. Mas porque será que elas dizem isso?

Dar um abraço é um ato de entrega muito grande, não é simplesmente um cumprimento. Se você quer apenas cumprimentar, um aceno ou um aperto de mão são suficientes. Porém, abraçar é dar calor humano, é aproximar os corações. E é isso o que eu faço, ou tento fazer, quando estou abraçando alguém.

Porém, não dá pra dar um abraço desse tipo quando é alguém com quem não se tem muita intimidade. Dessa forma, quando essa situação acontece, normalmente eu dou uns tapinhas nas costas, junto com aquele abraço de lado, daqueles que você passa um braço só. Ou então, um de frente mesmo, mas dá uma esfregadinha nas costas da pessoa e é isso aí.

Mas não é desse tipo de abraço que eu quero falar. Quero falar é do outro.

Aquele que você literalmente passa os dois braços ao redor da pessoa, em toda a extensão deles. Uma orelha praticamente encosta com a outra, com o corpo ereto, sem evitar contato. Abraço é pra ter contato mesmo, ora.

Tem que ter uma ligeira força. Algo entre "gosto de você" e "não quero te perder".

Alguns, dependendo da intensidade e do sentimento para com a pessoa, merecem até o mesmo instinto do beijo: fechar os olhos...

Já abracei pessoas assim e quando ia me desvencilhar, não deixaram. E tive que continuar abraçando. Já fiquei mais de dez minutos num mesmo abraço. Já dei um abraço desse tipo em duas pessoas ao mesmo tempo. E todos são ótimos.

Bem. Tudo isso foi porque ontem eu senti muita vontade de dar um abraço em alguém -- e realmente o fiz. Uma pequena distorção divertida da realidade: digamos que eu esteja com, hã, excesso de amor dentro de mim. Preciso entregar isso para as pessoas. E, de fato, é muito bom fazer isso...

Alguém quer um abraço?

14 de mar de 2006

Three Smiles

Eu e uma amiga sentados na escada do Coreto da Liberdade, comendo chocolate. Havia um cara fazendo malabarismos com argolas e outro brincando com umas cordinhas com pesos nas pontas.

Chamou-me a atenção um casal que andava pela praça, passeando, com sua filhinha. Esta última, elétrica, não parava de correr e pular, pra todos os lados. Ela veio na direção do coreto e começou a subir as escadas. Quando ia passar por nós, parou, virou-se e disse:

- Come on, daddy! Come on, mommy! Let's go up here!

Troquei um olhar com a minha amiga, ambos agradavelmente surpresos com o fato dela ter falado inglês. Subiu o coreto e começou a correria. Era legal vê-la entoando músicas infantis em inglês, contando até 5 como só menininhas sabem fazer: "one, two, three, four, five"... Não resisti.

- Hey, sweetie! Come over here... Can you tell me your name?
- It's Laaaauryyn.
- My name is Clara - disse a minha amiga.
- Oh, that's a beeeaaautiful naaame...

Impossível não sorrir.

Aí ela se virou e continuou a correr e saltar. Olhei pro casal: a esposa era brasileira com certeza. Era morena, tinha cara de Brasil. O marido é que deveria ser o estrangeiro. E minha suspeita se comprovou quando ele veio conversar com a gente. Disse que o povo brasileiro é muito mais hospitaleiro e pacífico que o americano. Que aqui todo mundo é feliz mesmo se não tiver sucesso na vida, etc.

Nesse ínterim, Lauryn voltou. Mais uma vez fui brincar com ela.

- Lauryn, do you know the alphabet song?
- Nooo... But I know the ABC's: A, B, C, D...

Mais um momento sorridente.

- But that's the song I was talking about!

Ela não me ouviu. Já estava do outro lado do coreto e no fim do alfabeto. O pai dela me contou que ela tinha três anos e estava adorando o Brasil. Ele também. Ele se chamava Tim. Reparei que ele ficava olhando Lauryn brincar, vigiando. Não deixava ela ir muito longe. Lauryn passsou por mim novamente.

- I want my jacket!
- But Lauryn - disse eu - you can't go downstairs. You have to ask you mom and dad first.

Ela me olhou por uns dois segundos, voltou e foi até os pais.

- Mommy? Daddy? Can I go downstairs so I can get my jacket?

Eis aí o terceiro sorriso.

Fomos embora, porque já era tarde e era segunda-feira. Eles também estavam indo. Deu pra admirar mais um pouco a felicidade pueril, a capacidade das crianças de se divertir com absolutamente nada - Lauryn estava pulando a esmo pra qualquer lado.

Bem. Quando chegar a hora, definitivamente, quero ser pai.

4 de mar de 2006

Que a "Força" esteja com "vocês"

Lembram-se das aulas de física? Sir Issac Newton estabeleceu as três grandes leis da cinemática dos corpos. Mas o que ele não sabia é que, forçando um pouco a barra, dá pra transportar isso para um campo que, teoricamente, não é explicado por nenhuma lei. Acompanhem o raciocínio.

A Segunda Lei de Newton diz:

"A resultante das forças de agem num corpo é igual ao produto de sua massa pela aceleração adquirida."


O coração, sem dúvida, tem massa. Eu diria mais: ele tem vida e consciência próprios, e muitas vezes parece que ele discorda do nosso cérebro de propósito. Além disso, ele tem batido num ritmo constante, invariável. Nada faz acelerar meu coração, ou, pra efeito de equilíbrio, desacelerá-lo. E olha que meu cérebro tem tentado arduamente costurar caminhos onde uma aceleração seja possível. Bem, não sei se vocês me entendem.

Assim, posso dizer que, se a "aceleração" é zero, então a resultante das "forças" que atuam sobre o coração é zero.

Agora, vejamos a Primeira Lei:

"Um corpo que esteja em movimento ou em repouso, manterá seu estado inicial se a resultante das forças que atuam sobre ele é nula."


Percebem a ligação? Meu coração não vai a lugar nenhum. Está parado. E porque? Porque a resultante das "forças" que atuam sobre ele dá zero? Há pequenas flutuações, sempre pra frente, mas logo ele volta para o zero.

Dois casos são possíveis, um em que não há "forças" atuando sobre ele -- o que não vou cometer o infortúnio de dizer -- ou as "forças" todas se equilibram. Ou seja, há "forças" atuando. Elas tentam me puxar pra alguma direção. E há várias. O problema é que Newton e sua Terceira Lei dizem:

"Para toda força aplicada, existe outra de mesmo módulo, mesma direção e sentido oposto."


Aqui é que está o ponto onde forço um pouco a barra. Na física clássica, estas forças opostas são aplicadas a corpos diferentes. Mas no caso do meu coração, não. Assim, qualquer "força" que seja aplicada nele gera uma igual no sentido oposto, mantendo a resultante em zero. E a constatação mais aterradora: essa "força" contrária é gerada por mim mesmo.

E essa pequena aula de física traz a dúvida: porque me sinto assim? Medo? Dúvida? Trauma? Ou tudo junto?

Acredito mais na última opção. Pelo menos a resultante é zero, pior seria se a resultante das "forças" me fizesse retroceder.

A minha esperança-quase-certeza é que uma dessas "forças" aplicadas por outras pessoas aumente, pra que a força gerada por mim mesmo em sentido contrário não seja suficiente pra anulá-la. E assim eu possa, finalmente, avançar.

25 de fev de 2006

Memórias IV

Canção à Lua Nova
Novembro de 2005

Quando você voltar,
De uma manhã à outra eu sorrirei,
E sobre tenras flores dormirei,
Em teu seio e em meus sonhos,
E entre duendes, sempre risonhos.

Quando você voltar,
Na Terra nada se apagará.
Em toda a sua chama se lerá
A cor da vida que me cativou
Trazendo-me cá pra onde estou.

Oh! Lua de tantas canções e poemas,
De tantas metáforas, centenas,
De fases escondidas, nuas,
Outrora dando a cara nas ruas,
Rainha oculta de um reino escancarado,
Pequena luz de um dia ensolarado!

Volte, volte para a noite escura
Que as estrelas pedem tua cura;
Que eu (ai de mim!) te espero,
Cão solitário, uivo - Te quero...

Oh! Lua de prata espelhada, só,
Trocando seu pirlimpimpim em pó,
Lua dourada, avermelhada, de mel,
Ostentando um brilho único no céu,
Mãe protetora dos enamorados,
Encantadora dos seres encantados!

Volte, volte pra teu lugar de direito
Há estacas rodeando meu peito,
Que eu (ai de mim!) te rogo:
- Volta, volta, volta logo!

10 de fev de 2006

O Anjo Musical

Um belo dia eu resolvi que voltaria a pé pra casa a partir daquela noite. E realmente o fiz. Mas uma das coisas que me fizeram pensar duas vezes foi o fato de não acontecer mais nenhum "caso de ônibus", alguns deles já relatados aqui.

Mas eu estava enganado.

Ontem estava eu lá, começando a minha caminhada diária de 6 quilômetros. Eu estava tendo aqueles pensamentos "rosa": belos e atraentes, irresistíveis, mas cheios de espinhos, que me machucavam. O pior é que eu tinha pura consciência de que eu era quem me machucava: bastava que eu parasse de pensar aquelas coisas. Mas há momentos em que a gente não consegue.

Neste momento, parei pra esperar os carros passarem e eu poder atravessar a rua. Do meu lado, surgiu uma garota. Do meu tamanho, com cabelos castanho escuros até um pouco abaixo do ombro, lábios bonitos. Usava uma camiseta branca, calça jeans e tênis. E usava um fone de ouvido. Balançava a cabeça divertidamente, curtindo a música. Nada de mais nesse fato.

O passo dela era mais rápido que o meu, e do outro lado da rua ela já estava bem na minha frente. Foi quando eu vi ela levantar os braços e "dançar" a música, sob o olhar atento e admirado dos outros pedestres. Achei aquilo super divertido, e pensei comigo: "Ora, ainda ontem era EU quem estava fazendo isso. Eu consigo sim parar de pensar bobeira e curtir o momento, assim como ela."

Por incrível que pareça, ela andou na minha frente durante boa parte do caminho, acho que ela também tinha resolvido caminhar como eu. Fiquei observando e me divertindo com a maneira pela qual ela curtia a música dela sem se preocupar com nada.

Dois momentos foram marcantes. O fone de ouvido que ela usava era daqueles que penduram nas orelhas e têm um arco que passa atrás do pescoço. Até ali, este arco estava por cima dos cabelos dela, prendendo-os. Ela resolveu puxá-los pra cima de modo a fazer o fone de ouvido passar por baixo dos cabelos dela. Foi uma espécie de libertação. Talvez a hipnose do momento aumentasse um pouco a beleza dos seus cabelos soltos, mas gostei demais daquele movimento dela.


E depois, quando ela se separou de mim. Torci pra que ela virasse à esquerda, que era o meu caminho, mas ela foi à direita. Olhei pra trás um número incontado de vezes, só pra observar mais uma vez a garota que, sem saber, fez toda a minha auto-flagelação na alma sumir como mágica.

Só me arrependi de não lhe ter perguntado o nome, apenas o nome. E de não lhe ter dado o endereço deste blog depois disso.

6 de fev de 2006

Percepção

Cheguei ao local um pouco atrasado, mas antes do auge da festa. Entrei e fiquei procurando alguém que eu conhecia, pra poder me localizar lá dentro. Até que achei a mesa dela e fui até lá cumprimentar o pessoal da família, pais, amigos que estavam lá.

Eis que ela apareceu, cheia de sorrisos e felicidade. Lá ela estava, clara e brilhante, exuberante, maravilhosa. Ela já era linda, e com a felicidade exalando, como um perfume afrodisíaco, ficou ainda mais bela.

Quando me viu, sorriu ainda mais. Julgava impossível achá-la mais bela, mas o novo sorriso me fez enganado. Os olhos brilhantes, de sorriso próprio, vieram na linha mais reta que já vi, na minha direção, me atacando como raios. Ela veio saltitando, feliz da vida que eu estava lá. Eu jamais faltaria, é claro. Porém, a minha presença, de alguma forma, mesmo sendo totalmente confirmada e esperada, foi bastante comemorada por ela.

Ela me abraçou gostosamente. Não há palavra melhor pra esse abraço: gostosamente. Não foi deliciosamente, não foi confortavelmente, não: gostosamente. Foi rápido, mas eterno. Escutei um ou dois "eu te amo" ao pé do ouvido (coisa boa, experimentem). Impossível não sorrir também.

Depois, quando ela começou a afastar a cabeça para "terminar" o abraço, qual não foi a minha supresa ao ver que ela não se desvencilhou. Apenas mirou os olhos dela nos meus por um breve momento, suficiente para meu coração saltar uma batida. O sorriso infinito ainda aberto.

E aí ela me deu um selinho, do mais puro amor.

Adorei estar lá. Conheci pessoas novas e interessantes, re-conheci pessoas velhas mas ainda interessantes, reconstruí os blocos da amizade e coloquei mais alicerces para as novas. Percebi que estou conseguindo sair da minha bolha pessoal, e entrar na de outras pessoas, não porque eu quero, mas sim porque elas querem.

Também gostei de perceber, mesmo que inconscientemente, que as pessoas são cheias de carinho pra dar, assim como eu. E que elas realmente se importam. E que eu realmente sou importante demais na vida das pessoas. Que eu realmente faço alguma diferença, amenizo alguma tristeza, multiplico alguma alegria, ilumino algum caminho, dissipo alguma dúvida.

Pequenos momentos na vida, que nos fazem ter esperança dentro de um mundo cheio de mazelas.

Um único momento em toda a noite para transformá-la para sempre.

3 de fev de 2006

Memórias III

Eu odeio
Dezembro de 2003

Eu odeio as quartas-feiras. São dias como outros quaisquer. Como a terça, por exemplo. Mesmo assim, não gosto das quartas.
Eu odeio a agonia de dez pras seis. O frenesi de cinco pras seis. O 2150. A solidão das seis e trinta e cinco.
Eu odeio as sete horas, pois é quando penso que poderia ter feito mais. Dito mais. Nada além dos limites da normalidade, mas mais. Pelo menos com mais intensidade.
Eu odeio a hora do almoço de sexta. E também odeio as segundas-feiras. Não tanto quanto as quartas, pois essas fazem quatro virarem um mais dois.


Eu odeio pensar.

Eu odeio me classificar, erroneamente, de ineficiente. De inexperiente. Odeio perceber que estou errado. E odeio constatar que pensei erroneamente só pra que eu pudesse me odiar depois.
Eu odeio perceber que, de quando em vez, tento levar as coisas da maneira que todos levam. Odeio perceber que sou autêntico, sim, mas por vezes deixo essa virtude de lado para ser um pouco mais do comum.
Odeio realizar que, mesmo tendo consciência que as coisas estão caminhando para onde eu gostaria, insisto em fingir normalidade. Odeio ser o profeta do nada.


Eu odeio a explicitude das coisas.

Principalmente quando ela grita na sua cara, me fazendo achar que sou a única pessoa alheia do mundo àquilo. Mas também odeio metáforas demais.
Eu odeio ser o último a saber, mesmo sendo o primeiro. Odeio saber, ter certeza, e fingir ignorar. E odeio perceber que finjo ignorar aquilo que eu mesmo construí, e ainda faço questão de aumentar.


Eu odeio o pouco tempo.

Não a falta dele, mas o curto espaço de tempo. Tanto o pouco tempo psicológico quanto o cronológico.
Eu odeio tentar transformar quinze minutos em quinze horas. E, diante do meu fracasso nesse objetivo, odeio ter que viver cada segundo desses quinze minutos da maneira mais preciosa possível, quase desesparadamente.
Eu odeio cada segundo de silêncio desses quinze minutos. Parece que desperdicei um dia inteiro da minha vida.


Eu odeio a ansiedade.

Por vezes, tento fazer com que as coisas sejam mais rápidas do que elas devem ser. Em alguns momentos, realmente elas o são. Em outros, o tempo parece parar.
Eu odeio perceber que quero andar mais rápido que eu mesmo. Do que meu próprio ritmo.
Eu odeio ter que inventar uma situação hipotética diferente todos os dias, pra curtir o meu próprio pensamento repetitivo. Eu odeio ter que inventar situações ruins também, só pra desencargo de consciência.
E odeio mais ainda quando não consigo inventar nada.


Eu odeio ser interrompido.

Não pelas pessoas, mas pelo meu próprio cérebro. Odeio ter que me acordar de um sonho acordado. Ainda mais quando não sonho com os meus pensamentos, mas sim com meus sentimentos.
Não odeio o pensamento em si, porém.


Eu odeio o não-ceticismo.

Não que eu seja cético por completo, mas não sobreviveria acreditando nas relações entre as pessoas num mundo onde elas não importam. Pelo menos para as outras pessoas em geral.
Mas eu odeio ter que ser assim.


Eu odeio a falta de inspiração.

Mesmo quando ela está a todo vapor. Odeio ver uma criação incompleta diante de mim. Odeio vê-la completa e revisar umas duas ou três vezes. Odeio revisar algo que deveria existir sempre no seu estado bruto. Cru. Pois é quando a criação reflete mais do seu criador.
Odeio ficar sem uma supresa pra fazer. E odeio ainda mais quando invento uma surpresa e não posso realizá-la. Isso nunca aconteceu, mas tenho certeza que vou odiar.


Eu odeio ter que terminar este texto.

Odeio terminar com minha diversão. Chame-me louco; mas se eu não consigo me divertir sozinho, como seria? Odeio saber que, daqui a pouco, vou ficar imaginando mais situações. Vou dividir a linha do tempo com o antes e o depois do dia da inspiração.

E vou esperar, durante toda a quarta-feira. Passando pelas seis e trinta e cinco e pelas sete horas, pensando que tudo está dando certo, mas errado, de maneira explícita, tentando fazer o dia correr mais rápido, ansioso, desacreditado com um mundo sem inspiração, me divertindo com meus próprios pensamentos...

... até chegar a quinta-feira.


E é por isso que eu adoro esse jogo.

27 de jan de 2006

Nonsensimos e Referências

Acabo de descobrir que meu último artigo foi o de número 50, ou o quinquagésimo, para adeptos dos ordinais. Média de 7,142857142857... (dízima periódica) artigos por mês, 0,238095238095... (outra dízima) por dia. Ou, em palavras menos matemáticas, um artigo a cada quatro vírgula dois dias.

Bem, essa introdução não teve nada a ver.

O fato é que eu escrevi quatro palavras, assim, do nada, só pra dar um movimento à minha única comunidade no orkut. Acabei fazendo um poeminha que eu achei bacana e vou colocar aqui. Ele remete ao artigo no qual eu falava da importância das lágrimas.

Ah. Olha o link aqui.

"Let there be light!"


Meio-a-meio

Canto
Tanto
Quanto
Pranto.


20 de jan de 2006

... novecentos e dezesseis, um, dois.

Bem, como prometido para esta moça, um relato de mais um exercício para manter um nível saudável de insanidade.

Era um dia comum, num tempo comum quando eu ainda estudava na faculdade. Não sei se eu tava com pouca coisa pra fazer no dia, mas me lembro que era o meio de uma tarde comum também. Aquele dia estava comum demais. Então, resolvi contar os passos do portão do campus até o ponto de ônibus, só pra quebrar a rotina um pouco. Deve ter dado uns duzentos, não me lembro exatamente.

Gostei daquilo, e quando eu cheguei no ponto de ônibus, ao invés de parar e esperar, continuei. E continuei contando. Naquela hora, eu havia decidido medir a distância em passos da minha casa à faculdade.

No início, contei normalmente, de um em um. Assim, sendo, eu dizia mentalmente: "duzentos e vinte e três, duzentos e vinte e quatro, duzentos e vinte e cinco" e assim por diante. Mas a essa altura eu já estava um pouco aquecido, e meu ritmo de caminhada foi se tornando mais forte. Ficou difícil mentalizar esses números grandes, como "quatrocentos e quarenta e cinco", sem perder o ritmo, e ao mesmo tempo prestar atenção ao trânsito e ao caminho que eu estava fazendo.

Assim, resolvi contar somente a perna direita, de modo que eu contava apenas os números pares agora. "Quinhentos e vinte e dois, quinhentos e vinte e quatro, quinhentos e vinte e seis". Isso fazia com que eu tivesse o dobro do tempo pra pensar no tal número grande. Mas quando cheguei nos milhares, mesmo esse tempo dobrado se mostrou insuficiente, de modo que eu tive que desenvolver outro método de contagem.

O próximo passo -- sem trocadilhos -- era contar apenas as unidades. "Dois, quatro, seis, oito". Quando a dezena era completada, aí sim eu dizia o número inteiro. "Mil trezentos e quarenta". Porém, um número como "quatro mil seiscentos e oitenta" também era grande demais pra se pensar, e várias vezes eu tive de diminuir o ritmo a cada dez passos, porque eu não conseguia pensar nesse número todo antes de dar o passo número "dois" da dezena seguinte.

Assim, tirei o zero das dezenas. Ao invés de "cinco mil duzentos e setenta", era "quinhentos e vinte e sete". Poucas sílabas a menos, mas que faziam diferença o suficiente pra que eu tivesse tempo de contar sem perder as passadas.

Já no meu bairro, faltando pouco pra eu chegar em casa, não tinha problemas com esse último método, mas eu resolvi simplificar mesmo assim. As unidades só iam até dois, ao invés de quatro: "um, dois, um, dois". A vantagem era puramente psicológica: "um, dois, um, dois" funcionava como um mantra pra que eu mantivesse o ritmo da caminhada.

O grande problema do Método Avançado para Contagem de Passos em uma Caminhada era quando eu eventualmente parava de andar -- atravessei algumas avenidas grandes e tinha que esperar os carros passarem, ou o sinal de pedestre abrir. Eu precisava fazer cálculos pra não perder a conta de quantos passos eu já havia dado. Em uma das ocasiões, o sinal de pedestre abriu e todos se colocaram a atravessar a rua, menos eu, que devo ter ficado mais uns dois ou três segundos parado, até completar as contas, e aí sim retomar a caminhada.

Ao fim, cheguei no portão de fora do meu prédio à contagem de 9164 (nove mil, cento e sessenta e quatro) passos. Considerando mais ou menos um metro por passo, dado o ritmo da minha caminhada, era aproximadamente o que eu esperava, algo em torno de dez quilômetros. Devo ter andado a uma média de 5 a 7 quilômetros por hora, o que me leva a crer que gastei mais ou menos duas horas (contando paradas).

Duas horas muito bem gastas.

16 de jan de 2006

Eu Preciso Chorar

Chorar não é sinal de fraqueza. Au countrair: o choro não só mostra firmeza de espírito como o fortelece. Explanemos.

Todos nós, mortais, cuja capacidade mais invejada pelos deuses é a de sentir emoções, temos naturalmente uma carga de tristeza para "usar" na nossa vida. Mais ou menos como se a gente tivesse que distribuir pontos negativos para as nossas habilidades -- pra usar um linguajar digno de RPG. Desafio qualquer deus ou humano a me indicar um único homem ou mulher que não teve uma boa dose de momentos ruins na vida. Mesmo que esta tenha sido curta.

Não é uma questão de pessimismo. Não que aqueles momentos em que tudo parece estar certo e no lugar sejam uma pura ilusão, não, claro que não. Estes são importantíssimos também, e são tão reais quanto o nosso próprio nariz. O ponto é ter consciência da nossa fatia cabisbaixa, e estar preparado para enfrentá-la.

Assim sendo, quem chora muito abaixo da média é porque cria uma falsa fortaleza ao seu redor. Um castelinho de areia. Há pessoas fortes, sem dúvida há. Mas mesmo essas ainda são humanas. E estão sujeitas às mazelas do mundo, da vida e do amor. Por isso, quem chora é que é forte: mostra que é humano. Que está preparado pra enfrentar qualquer revés. E que não tem vergonha de admitir a sua própria humanidade.

Há mais: quem fica sem chorar por muito tempo, invariavelmente vai minando seu próprio castelinho de areia. As ondas do mar, salgada como as lágrimas, vêm pouco a pouco escavando as bases, as fundações; a areia tenta em vão se sustentar e, de repente, a fortaleza tomba. E aí entra o lado humano novamente.

Talvez seja por esses motivos que há ocasiões nas quais choramos por um motivo besta. É a faxina do corpo impregnado.

Lágrimas... Apesar de salgadas como o mar, são limpas como a água de uma cachoeira. Lavam a alma. E é por essa razão que, às vezes, quando uma coisa muito ruim acontece na nossa vida, choramos, choramos e choramos até emagrecermos; e aí chega um momento em que o choro não vem mais. Como se as lágrimas tivessem secado. Mas é melhor encarar de outra forma: é como se já estivesse tudo limpo. Tanto é que, invariavelmente, quando o choro cessa, nos sentimos melhor. Mesmo que relutemos a admiti-lo.

Humanos que somos, choremos, pois. Afinal, se nos fosse poupada a tristeza, nos seria poupada também a alegria.

(...)
You know love will sometimes make you cry
So let the tears go they will flow away
For you know love will always let you fly
How far a heart can fly away

Amarantine
Amarantine
Amarantine
Love is always love
- Amarantine [Enya]


A Primeira Lei

Norte, Sul. Leste, Oeste.
Fogo, Água. Terra, Ar.

Yin, Yang.

Corpo, Alma. Razão, Coração.
Direita, Esquerda. Cima, baixo.

Amor, Tesão.

Movimento, Inércia. Ciência, Religião.
Cinética, Potencial. Luz, Escuridão.

Conservador, Liberal. Ficção, Real.
Princípio, Finalidade.

Pê, A. Bê, É.
(A guerra continua, o cabo se tensiona, mas ainda nada acontece.)

Ruim? Bom.

9 de jan de 2006

O Encontro Inesperado na Partida do Trem das Quatro

Poc, poc, poc, poc, poc, poc...

- Arf, arf, arf...

Poc, poc, poc, poc -- piuíííííí -- poc poc...

- Ah! Arf arf arf arf!

Pocpocpocpocpocpoc -- tsssssss, chac, chac, cha-chac...

- Ei! Eeee!

Pocpocpocpoc poc poc, poc, poc... Poc... (cha-chac, cha-chac, cha-cha-chac, cha-cha...)

- Ah...

... BLEM.

- Ai ai.

Poc... Poc... Poc... Poc... BLEM! Poc... Poc... BLEM! Poc... POF!

- Ai!

- Oh!

BLEM!

...

(Sorrisos.)


6 de jan de 2006

Sóbrio de viver, ébrio de amar

Eis que estava eu no computador, a ver como escrever meu nome em Tengwa, estilo Quenya, quando olhei para a prateleira acima e vi o meu livro do Álvaro de Campos.

Levantei de súbito, peguei-o, e abri em uma página aleatória.

Gostava de gostar de gostar.
Um momento... Dá-me de ali um cigarro,
Do maço em cima da mesa de cabeceira.
Continua... Dizias
Que no desenvolvimento da metafísica
De Kant a Hegel
Alguma coisa de perdeu.
Concordo em absoluto.
Estive realmente a ouvir.
Nundum amabam et amara amabam (Santo Agostinho).
Que coisa curiosa estas associações de idéias!
Estou fatigado de estar pensando em sentir outra coisa.
Obrigado. Deixa-me acender. Continua. Hegel...


Engraçado como são as forças místicas que regem o universo. "Não amava, mas ansiava por amar"...

4 de jan de 2006

Expelliarmus

Após ler cinco livros e meio da mesma série em cerca de dois meses, e de uma animada conversa com um outro super fã da mesma série em uma mesa de bar, eu resolvi escrever sobre isso. Sem mais rodeios, em que casa eu ficaria se eu fosse estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts?

Pesquisei um pouco e fiz alguns testes que achei na Internet, que só confirmaram as minhas suspeitas: todos os testes disseram que eu seria um Corvinal. Ou um Ravenclaw, para os puristas.



De fato, as traduções só deixam a desejar nos nomes dos personagens e de alguns feitiços, mas de resto, me satisfiz. E olha que eu realmente sou purista em termos de tradução. Mas isso é nota de rodapé.

Pra início de conversa, a cor que eu mais gosto é azul. Indiscutível. Essa é uma daquelas certezas que eu tenho desde que me entendo por gente, uma coisa que jamais mudou ao longo da minha vida. E isso remete à Corvinal.

Quando à cor secundária, bem, devo admitir que entre ouro, prata, bronze e preto, eu gosto mais de prata, o que me jogaria para a Sonserina. Mas esse fato é amaciado pela descoberta de que eu seria mestiço, e não um puro-sangue, como agradaria a Salazar Slytherin. Descobri isso depois de uma breve entrevista com meus pais: minha mãe seria uma bruxa e pertenceria à Sonserina, e meu pai seria trouxa; minha avó materna seria trouxa e meu avô bruxo, provavelmente da Lufa-Lufa.

Depois, não sei por que razão estranha, muita gente me acha inteligente. É claro, não como a Hermione, pois não sou responsável com deveres e provas como deveria ser um Corvinal. Mas essa característica com certeza me colocaria na Corvinal também.

Aliás, a dúvida que acho que o Chapéu Seletor teria quando selecionasse a Hermione seria entre a Corvinal, por ela ser inteligente, ou Lufa-Lufa, por ela ser esforçada. Mas o chapéu é sábio, e escolheu a Grifinória por causa da potencial coragem que ela desenvolveria ao longo da série. Bem, que seja.

Bem, também possuo uma certa afeição pelo Prof. Flitwick, o diretor da Casa, e que ensina uma matéria legal também, Feitiços. Com certeza gosto mais dela do que de Transfiguração, minha segunda opção, e definitivamente mais que Poções (ugh) e Herbologia (argh). A Profa. Sprout é simpática, mas a matéria dela é péssima.

Fora que o Chapéu também leva em conta a escolha pessoal dos estudantes de primeiro ano: e eu -- e dessa vez não sei explicar porque -- escolheria a Corvinal.

E, finalmente, não me considero corajoso acima da média pra entrar numa Grifinória. Não sou ambicioso o suficiente para entrar numa Sonserina, e não sou um aluno tão aplicado assim pra entrar na Lufa-Lufa.

Assim, por ter algumas características necessárias e não ter outras para as outras casas, cheguei a conclusão de que seria colega da Cho Chang e da Luna Lovegood. Esta última que, por alguma razão tão esquisita quanto ela, me atrai...

Depois eu penso se seria parte do time de Quadribol da Corvinal ou não, e em que posição eu jogaria. Ou não. Meu vício-quase-dependência em J. K. Rowling talvez suma quando eu terminar de ler o "Half-Blood"... Porque tem "Alice no País das Maravilhas" e "Crime e Castigo" na fila.