28 de jul de 2005

Suficiente

Às vezes, tudo o que eu quero é poder te olhar... com a mais pura das ternuras, e poder dizer aquela frase...

Dizer que brevemente serás a metade de minha alma... A metade? Brevemente? Não. Já agora o és, não a metade, mas toda. Dou te a alma inteira, deixas-me apenas uma pequena parte para que eu possa existir por algum tempo e amar-te.


Às vezes, tudo o que que quero é poder tocar a sua face com a palma da minha mão, como se um grande cobertor de sentimentos protegesse sua alma da frieza das pessoas. E, ao invés de calor, que se passasse o meu amor pelos meus dedos.

Às vezes, tudo o que eu quero é que você feche os olhos durante um abraço meu, para que você possa sentir todo o fluxo do universo ao nosso redor em convecção.

Às vezes, tudo o que eu quero é dizer que te amo sem ter medo de te afastar ainda mais de mim.

Às vezes, tudo o que eu quero é seguir a minha vida como se meu amor fosse de tal insignificância que eu pudesse viver pra sempre com ele, e somente eu saberia de sua existência.

Às vezes, tudo o que eu quero é trocar de lugar com você durante um infinitésimo de segundo, para que você possa sentir o que sinto, e que ecoaria por toda a eternidade...

27 de jul de 2005

"I feel saudade of you"

Eu já compartilhei este "trapo" com muita gente, mas não todo mundo. E, a quem interessar possa, ei-lo. Talvez vocês façam bom proveito e teçam um maravilhoso vestuário a partir dele.

Um dia me perguntei porque os outros idiomas não tinham uma palavra que expressasse saudade como "saudade", da nossa língua portuguesa. O máximo que o inglês, por exemplo, consegue chegar é "I miss you", que significa "sinto sua falta", ao pé-da-letra. Ora, sentir falta não é sentir saudade. E é exatamente essa diferença o motivo deste artigo.

Saudade é um sentimento bom. Sente-se saudade de coisas que com certeza voltarão. Exemplos: uma viagem longa pra um lugar muito distante, sente-se saudade dos amigos. Você vai voltar para seu lugar de origem, reencontrá-los. Sente-se saudade da família, sente-se saudade de pessoas que somem por um tempo.

Sentir falta é ruim, machuca, pesa. Sente-se falta de ex-namoradas, de pessoas falecidas, de lugares aos quais nunca se voltará. Aquela viagem pra Grécia, aquela sua ex-namorada que você nunca esqueceu, enfim, coisas que não acontecerão novamente (ou pelo menos presume-se que não, pois por um revertério do destino poderíamos voltar com a ex-namorada, por exemplo).

Pra mim, essa diferença é tão clara, tão cristalina que às vezes me pego indignado com o mau uso da palavra "saudade", um dos orgulhos da nossa língua mãe. Procurem frases sobre saudade na Internet, vocês verão que muitas delas expressam tristeza. Poucas são as que expressam saudade no sentido que coloquei aqui. Uma delas é uma das minhas favoritas, obviamente.

"Quando uma brisa leve tocar o teu rosto, não te assustes: é apenas a minha saudade que te beija em silêncio."
- anônimo


Agora, pra reflexão: estuda-se a adoção da palavra "saudade" para o inglês. E como seria expresso esse sentimento? "I have saudade for you"? "To you"? "I feel saudade"? "I am with saudade"?

Os não-falantes-do-português nunca entenderão.

20 de jul de 2005

Os Silvas

Fiquei pensando hoje numa possível tradução de "The Smiths" para o português. Acho que seria mais ou menos algo como o título deste artigo.

Pensei isso porque estava ouvindo antes de chegar no trabalho. Aí ouvi uma música. A letra tá aí embaixo. Tenho certeza que ela vai fazer muito sentido no futuro.

Nothing's changed I still love you, oh, I still love you ...only slightly, only slightly less than I used to, my love...
- Stop Me If You Think You've Heard This One Before [The Smiths]


16 de jul de 2005

Dr. Tempo, clínico geral

Então, em pleno sábado à tarde, tentei iniciar um jogo de campo minado (sim, eu jogo) pra ver o tempo passar. Aproveitei e coloquei a minha lista completa de MP3 pra tocar, em modo aleatório. E foi por isso que eu apenas tentei iniciar o jogo -- ele foi surpreendido pelas músicas.

A primeira música que saiu foi "She", do Green Day. Me lembrou meus velhos tempos de início da adolescência. É divertido. Eu até fiz uma versão acústica dessa música uma vez.

Depois, veio o grande motivo pelo qual eu estou escrevendo isso. "A Trip to the Fair", do Renaissance, é fantástica. Ela começa de um jeito, vai a vários estágios diferentes e muda completamente. Delícia.

"A trip to the fair, but nobody was there."
- A Trip to the Fair [Renaissance]


Então me lembrei do meu chefe, que uma vez dissera ter ficado indignado com as pessoas que ouvem três acordes de uma música e a dizem ruim. Ele tem razão. "A Trip to the Fair" é um exemplo. Lá pelo meio da música, você nem imagina que a levada jazzística é a mesma música que começou com um piano frenético e galopante.

"A música é uma arte que acontece no tempo."
- Alberto, meu chefe


Como já dito e redito, o tempo é capaz de curar tudo. Até a preguiça dos ouvidos.


A título de curiosidade, as outras músicas que saíram até o fim da digitação deste artigo:

  • Jethro Tull - Velvet Green
  • Música das Esferas - O Poeta e o Rouxinol
  • Aerosmith - Walk This Way
  • Contriva - Forget About Nightshifts

15 de jul de 2005

A Fonte e o Arquiteto

People of the universe above.

Eu pensei muito no fato de se criar um blog ou não. Anteriormente eu tinha um conceito bem preconceituoso* de blog, achava que isso era coisa que quem queria aparecer. Bem, do jeito que vejo as coisas agora, não mais. Juntei a fome com a vontade de comer: gosto de escrever, gosto de publicar idéias. Não pra avaliação dos outros, mas para mim mesmo. O fato de saber que as minhas idéias são "open source" me conforta. Talvez há alguém no mundo lá fora que ache legal, ou outra pessoa que ache chato. Não faz mal. O que importa é ser "open".

"Trapos Coloridos" é uma referência à frase:

A memória é uma velha louca que joga comida fora e guarda trapos coloridos.
- Austin O'Malley, escritor estadunidense

Porque blogs também funcionam como um "memory tracking", ou seja, a evolução e revolução das idéias coloridas que tenho. Guardam-se as mais bonitas, as importantes a gente deixa no cantinho, e as outras simplesmente ignora-se.

É isto. Devo postar aqui irregularmente, à mercê do destino impiedoso.

Eu também tenho uma veia poética.
- Mingau, gato da Magali

* Isto foi um pleonasmo, uma cacofonia e um paradoxo. Nunca havia conseguindo juntar três figuras de linguagem numa só. Legal.