20 de fev de 2008

Arreda

Ai! Essa angústia que me dobra,
que me martela e depois desdobra.
Num movimento, toda a obra:
eis a minh'alma sem alento.

Ai! Essa angústia que, sorrateira,
já ao primeiro lampejo, é inteira,
vai desde o cerne até a tribeira:
eis a minh'alma pelo vento.

Ai! Essa angústia que acomete,
que se engloba e se derrete,
como é, para o seis, o sete.
Vai minh'alma ao pensamento:

O que fazer?

De humano ser que sou,
não me dou por vencido.
Dou é logo de enxerido
E cantando digo: "Ou!"