24 de mai de 2006

Flor do Dia

Bom dia,
Rosa. És formosa!
És margarida, querida,
Copo-de-leite -- um deleite!

Bom dia,
Girassol, mi-fá-sol,
Lírio -- és um delírio,
Magnólia, quando me olha.

Bom dia,
De-lis, dos olhos gentis.
Violeta, tua silhueta,
Orquídea, merece mídia.

Bom dia, Amor-Perfeito.

20 de mai de 2006

Poema Elemental #1

O grupo já estava cansado de descer aquela torre submersa. O barulho da água era cada vez mais ensurdecedor, e o frio cada vez mais congelante.

- Achei um baú aqui nesta sala! - disse John.

- Cuidado, pode ter alguma armadilha - avisou Abrieht. - Você se lembra do que aconteceu lá em cima.

Katrina
fez coro.

- É verdade. Tome cuidado, John.

John abriu o baú cuidadosamente. Todos os sete heróis pararam por um tempo, como se esperassem que alguma armadilha mortal fosse ativada. Porém, nada aconteceu.

- O que tem aí? - perguntou um curioso Iluvatar sob o olhar mais curioso ainda de Vujak.

- Me parece um... um pergaminho. Kranus, isto aqui é mágico?

- Muito - respondeu o sombrio feiticeiro, numa voz etérea.

- Aqui, John, deixa ver - disse Bardo.

Bardo pigarreou, e começou a ler com sua bela voz.

One can hold
this scroll of power
and follow the way
down the spring tower.

For it holds still
as foundations of earth,
releasing the spell
to freedom give birth.

As the enemy cast
away from the hills,
he shall trick his mind
and himself, he kills.


- O que significa? - perguntou John.

- Não faço a menor idéia - respondeu Bardo, com toda a sinceridade que lhe cabia.

16 de mai de 2006

Pronunciamento

Atenção emissoras da rede Gude para o tope de 5 segundos.

Pi. Pi. Pi. Pi. Pi.

Faz-se neste momento rede nacional de blogs para o pronunciamento do Esquisitíssimo Sr. Lado Obscuro do Gude, Ministro da Revolta.


A todos os leitores deste espaço, bom dia/boa tarde/boa noite (escolha o seu, dependendo da hora em que ler este pronunciamento). Gostaria de pedir licença a uma amiga do meu outro Lado para parafraseá-la.

Eu, o Lado Obscuro do Gude, venho aqui para, solenemente, expressar raros sentimentos indignação e raiva. Raros porque conheço o meu outro Lado: é muito difícil vê-lo com algum tipo de revolta ou algo semelhante.

Pois bem. Ontem à noite, mais precisamente no momento em que eu me preparava para ir embora, senti falta da minha mochila. Ela fica, normalmente, numa cadeira ao lado da que eu sento para trabalhar. Essa cadeira fica perto da porta.

O fato é que ela não estava no lugar em que deveria estar.

A conclusão é que algum larapiozinho oportunista safado de m**** deve ter se aproveitado de um pequeno momento de distração -- quando eu e meu chefe estávamos muito ocupados trabalhando em outros computadores que nos fazem ficar de costas para a porta -- para sorrateiramente se apropriar da mochila.

Não sei que lucro ou benefício ou o que quer que seja um sujeito de pouco porte destes pode ter fazendo uma coisa tão ridícula.

O que havia na mochila? Do menos para o mais importante: fichas de jogadores de RPG (mais precisamente, 13 fichas de personagens), CDs de MP3 e de música, chave de casa, uma carteira sem dinheiro e com uma permissão para dirigir (o nome oficial da provisória), um cartão de banco e um cartão de vale-transporte vazio, um diskman MP3 e as chaves do meu escritório.

Duvido que um indivíduo mal ajustado como esse saiba o valor que tem um MP3 player como o meu. Nem é valor financeiro, mas desconfio que pra ele, de nada adianta um equipamento desses. O cartão de banco e de vale-transporte já foram bloqueados, o que os torna inúteis. Quanto às chaves do escritório, já estamos providenciando a troca das chaves.

Portanto, o que o safado conseguiu foi uma mochila com alguns CDs (nenhum original), e um diskman. Para ele, acho que só a mochila é útil. Talvez nem isso.

O que me revoltou mais foi que eu só consegui bloquear o meu cartão de banco hoje. Ontem, logo que percebi que estava na mão de terceiros, liguei para a central de atendimento do tal banco para bloqueá-lo. Simplesmente para ouvir a mensagem dizendo que os atendentes estavam fora de expediente.

Veja bem. Uma operação crítica, crucial e que tem que ser imediata, como o bloqueio de cartão, é feita por pessoas que somente trabalham no horário comercial. Em outras palavras, enquanto um ladrão pode estar gastando o seu dinheiro por aí, o banco mão-de-vaca se recusa a contratar mais gente para trabalhar fora do horário comercial. E o seu dinheiro que se ****, o deles é mais importante.

Aos leitores regulares, peço desculpas pelo eventual palavreado. Mas uma situação dessas é realmente revoltante. E como estou num estado irritantemente raro, me dou o direito de falar algumas poucas coisas.

Obrigado pela atenção de todos, mas, sinceramente, espero que vocês não tenham que me ver nunca mais.



Desfaz-se neste momento rede nacional de blogs que transmitiu o pronuciamento do Esquisitíssimo Sr. Lado Obscuro do Gude, Ministro da Revolta. Voltamos com a nossa programação normal.

A esta moça, peço perdão. Não é uma história engraçada. Eu já estava com uma na ponta da língua (ou dos dedos), mas forças externas me impediram de escrevê-la. No próximo artigo eu escrevo com calma.

8 de mai de 2006

Eu, Imperador

Vim
Do mundo real (acho eu).
No breu, uso o meu grande olho.
Informações colidem.

Vi
Depois da oitava casa
Alguns números que diziam:
Há muito não faço poemas.

Venci
Minha vontade de não-criar.
Uma página em branco
Cursor e letras piscantes.

Eis, aqui, o resultado.

Vivi.

6 de mai de 2006

Gude x 6556

Primeira batalha: Quinta-feira, 18:30.

Eu me encontrava atrasado para ir ao dentista no centro da cidade. O meu horário era às 19h. Quando cheguei ao ponto, olhei para a esquerda e o vi chegando. Tinha dois deles, mas o primeiro era o carro 6556. Quando olhei para o outro lado, ou seja, para o trajeto que o ônibus faria, constatei sem nenhuma surpresa que o trânsito estava absurdamente lento. É claro, Muprhy diria que é normal estar atrasado para um compromisso e o tráfego não ajudar. É só uma aplicação da lei.

Resolvi descer a pé, da Savassi até a Praça Sete.

Fui contando as horas, os minutos e segundos. Eu realmente estava atrasado. Escolhi pegar um trajeto mais retilíneo, portanto fui até a Espírito Santo e não saí mais dela. Eis que, quando eu chego no ponto onde eu teoricamente desceria, lá está ele: o 6556. Eu teria levado o mesmo tempo se o tivesse pego.

Resultado da batalha: em termos de tempo, empate, mas como eu me diverti à beça imaginando quem chegaria antes durante o trajeto (eu ou o ônibus), não me estressei com o trânsito lento, economizei R$ 1,85 e ainda fiz um exercício pras pernas, eu levo vantagem. 1x0.


Segunda batalha: Sexta-feira, 22:00.

Fui conferir meu dinheiro da passagem. Ironicamente, estava faltando 40 centavos. Passou pela minha cabeça a absurda idéia de pedir pra alguém no ponto, mas não. Resolvi ir a pé novamente. Porém, a essa hora, o trânsito era bem mais leve. Os ônibus fatalmente seriam mais rápidos que eu.

Só pra tirar a prova, não fiz o trajeto mais rápido. Segui pelo itinerário da linha.

Incrivelmente, não vi nenhum ônibus da referida linha passar por mim. Absolutamente, nenhum. Isso me animou, pois eu teria ficado lá no ponto esperando até agora.

No meio desse pensamento, veio um. Porém na direção contrária. Ele estava subindo a rua para dar a volta na Savassi e voltar. O número do carro? 6556. Ele estava declarando sua revanche.

Fui descendo, descendo e nada. Com o trânsito mais leve, seria fácil ele me alcançar, mesmo tendo que ir e voltar. E a cada ponto que eu ultrapassava, um locutor imaginário dizia "E mais um ponto para ele! Esta disputa está emocionante! E quem será o vencedor?"


Cheguei em casa com um largo sorriso. Afinal de contas, eu acabava de ter feito 2x0. Meu pensamento ao entrar em casa:

I have beaten you.