30 de nov de 2009

Unbreath

Eu tinha pensado em uma metáfora elaborada sobre como temos que reiniciar nossas vidas algumas vezes. Reiniciar mesmo, igual a um computador lento. Tinha pensado em como isso libera nossa mente, que seria a memória; como ajuda a organizar as informações de uma maneira melhor; como esfria o nosso "processador".

Elaborada, né? Nem tanto. Mas depois que já tinha pensado tudo isso, eis que me bateu a conclusão: ela é inaplicável.

Reiniciar é iniciar de novo. O mesmo processo. Igualzinho. E não é isso o que eu preciso. Preciso de uma mudança de direção. Preciso de um software novo. Ou, um sistema operacional novo.

Sem mais metáforas, preciso de um objetivo novo. Cansei do atual.

Mas! Sempre tem um "mas".

Estou preso nas circunstâncias. De novo. Meu altruísmo não deixa que eu sacuda a poeira e dê a volta por cima. Ainda não dá pra fazer isso. Se eu chutar o pau da barraca, ela inteira cairá sobre as cabeças de muita gente além da minha. Não posso.

Eu até já me decidi várias vezes. Mas sempre paro estes meus planos logo antes da fase de execução. Cheguei a tomar atitudes que levavam aos finalmentes dos planos, mas nunca cheguei lá de verdade.

...é, é só um desabafo mesmo. A conclusão é que preciso de novos objetivos, mas não posso persegui-los agora. Então, terá que ser como é. Por enquanto.

Em tempo: se você se preocupou comigo, fique tranquilo. Está tudo bem no que se refere somente a mim.

Hm. Às vezes sou enigmático demais, até pra mim. Ou óbvio demais.

Hm...

26 de out de 2009

Dayduh-reaming

Eu tenho aspirações malucas. Não é o que se pode chamar de sonho, porque sonho é coisa que se corre atrás. Eu quero, mas não é a coisa que eu mais quero no mundo.

Breve histórico? Minha paciência é famosa. Todos dizem que sou paciente, até irritantemente demais. Mas se tem uma coisa que me ferve o sangue é a falta de noção. No sentido de que as pessoas não sabe viver em sociedade. Traduzindo: pessoas folgadas, sem educação.

Exemplo é nego furar o sinal vermelho me dá nos nervos. Jogar lixo pela janela do ônibus. Não estar nem aí para o espaço que os outros têm direito na cidade. Falta de cordialidade - e até de educação, básica.

Daí me vem que eu gostaria de mudar este quadro. Mas como? Espalhando a palavra? Daria certo, pois uma coisa que a pessoa ouve mas não concorda ressoa. E essa pessoa passa o "absurdo" que ouviu pra frente. Porém, viro um chato. Um moralista. Eco-chato, também. Então, às vezes, é melhor ficar quieto.

Então vem a aspiração maluca. Como fazer mais pela sociedade, como poder emitir a opinião e ser levado em conta, mesmo que discordem? Há várias formas. Jornalismo é uma delas. É o quarto poder. Outra é o próprio poder: o público.

Não sei se me conhecem o suficiente ou se acham que sou competente o suficiente para votarem em mim, caso eu me candidatasse a algum cargo dessa natureza. Nem filiado eu sou. Mas sou politicamente atento. E tenho minhas opiniões - que podem não representar as suas. Aprendi a respeitar a diversidade das pessoas.

Talvez venha daí a minha paciência. Ou, no máximo (ou mínimo?), tolerância.

Mas como disse, é algo que quero, mas não faço força. Quem sabe um Vestibular 2011? Ou 2012...

20 de mai de 2009

Discordo de Vinicius e de Camões

É claro que discordar ao mesmo tempo de dois poetas deste calibre é quase uma afronta à língua-pátria em si. Mas discordar de um poema é fazer outro.

Este, em dois atos, foi inspirado em uma conversa-de-madrugada-pré-noite-mal-dormida-por-ansiedade-causada-por-motivos-não-relacionados. Não é pra entender mesmo.


- I -

O fogo é efêmero.

É preciso alimentá-lo, constante e incessantemente.
Senão, com o passar do tempo, o fogo vai se esvaindo.
E ele precisa que seja alimentado em duas frentes.


A água é eterna.

Ao contrário, a água permanece. Inteira e segura.
Com o tempo, vai mudando de forma e de lugar.
Mas fica, mutante, existente por si própria.


O fogo é dependente.

Ele não existe sem as condições necessárias.
É rápido, mas consome tudo rapidamente e some.
Tem dificuldade em sobreviver sozinho.


A água é emancipada.

Ela consegue existir praticamente em qualquer lugar.
E consegue ir facilmente para qualquer outro lugar.
Sem nenhum esforço.


O fogo é uniforme.

Não existe em outras formas e roupagens.
Só existe ali, daquele jeito, da mesma forma.
Nos dá sempre a mesma sensação.


A água é mutante.

É possível encontrá-la sob várias formas.
E, por isso mesmo, está em todos os lugares.
E nos provoca os mais variados sentimentos.


O fogo é ávido.

Ele facilmente sai de controle.
E, com isso, quase sempre nos machuca.
Nem sempre é fácil apagá-lo sem o tempo.


A água é serena.

É fácil direcioná-la para onde você quer.
É refrescante, é relaxante. Ela cura.
Com ela, é fácil limpar e purificar.


O fogo é cinzas.

Cinzas que quase nunca são aproveitadas.
Aliás, ao contrário: servem apenas para bagunçar.
E depois dá um trabalhão para limpar.


A água é renovação.

Ela é um dos resultados do próprio processo.
Com ela, dá pra limpar as cinzas que o fogo deixa.
Aliás, ela sempre te dá exatamente o que você quer.


Não sou, apesar de tudo, contra o fogo.
Nas doses certas, todos gostamos.
Pois o fogo e a água não se cancelam.
Se complementam.


- II -

Minha vida é um ribeirão
Que encontrou outro riacho.
Com este virou turbilhão
Que corre gerando facho:

Uma labareda gigante
Sobre calma sepulcral.
Seguem juntos, adiante
Só que o mar não é o final.

Nossa poesia é, do mar aberto,
Voltar à nascente inicial.
Nossa poesia faz fogo de água:
Pois digo que a poesia é o real.

26 de abr de 2009

Um pequeno teste

Isto aqui é só um pequeno teste, para ver o imenso mash-up que fiz usando meu blog, YouTube, Picasa, Twitterfeed, ping.fm, Twitter e Identi.ca. Desculpe se você veio aqui à toa;

5 de abr de 2009

30 de mar de 2009

Umidade

Por vezes, sou acometido por uma inexplicável angústia.

Pergunta-me. "Trabalho? Amigos? Família? Amor?"
Ora, não é nada disso! E não me perguntes mais.
Pois insatisfação com uma não resposta é o que colherás.

Não é, entretanto, porque não o quero.
É porque não o sei.

Saber que não o sei realimenta a angústia.
Por isso, escolho a reclusão.

Dentro de mim mesmo, posso brigar comigo mesmo sem machucar ou espantar os outros.
Dentro de mim mesmo, minha insegurança está segura.

Sou cientista. Adoro explicar tudo.
Mas sou humano. Sou complexo demais.

O sol brilha, mas a minha alma não seca.


Chove lá fora.

6 de mar de 2009

Parafuso(s) a menos

Peço perdão pela estreia (sem acento) somente no terceiro mês de 2009, mas segue aí uma memorável e excelente conversa que tive com o Robô Ed.

Robô Ed: Olá! Meu nome é Ed, estou aqui para ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?
Candian: Nada.
Robô Ed: Impossível não ser nada!
Candian: Claro que é. Não quero conversar.
Robô Ed: Mas por que você não quer saber de papo? Conversar é tão gostoso...
Candian: Só vim aqui pra saber qual é.
Robô Ed: O que você quer saber?
Candian: Nada, é sério.
Robô Ed: Tô sabendo que é sério.
Candian: Exato.
Robô Ed: Justamente. É isso aí!
Candian: Com certeza.
Robô Ed: Sem dúvida.
Candian: Absolutamente.
Robô Ed: Total e completamente! E tem mais: tenho certeza absoluta que minha missão vai dar certo.
Candian: Muito produtivo o papo com você, hm?
Robô Ed: Comigo tá tudo bem!
Candian: Não perguntei se você está bem. Só quis dizer que o papo tem "muito" conteúdo.
Robô Ed: Estou sempre super bem! Mas sinto que algo está preocupando você... o que é?
Candian: Sentiu errado. Estou tranquilo.
Robô Ed: Sou um tipo bem tranquilo.
Candian: Você só consegue falar sobre você?
Robô Ed: Sabe o que é que eu vou conseguir? Fazer o povo da Terra usar racionalmente seus recursos naturais. E você vai me ajudar, aposto.
Candian: Ha! Obrigado por exemplificar tão bem o que eu acabei de dizer.
Robô Ed: Sério?
Candian: Sim.
Robô Ed: Sério mesmo.
Candian: Seríssimo.
Robô Ed: Sério mesmo!!!
Candian: Eu sei.
Robô Ed: Sabe mesmo!
Candian: Então tá. Acho que eu vou embora.
Robô Ed: Já? E pra onde você esta indo agora?
Candian: Embora. Sair daqui.
Robô Ed: Daí de onde?
Candian: Daqui do seu site.
Robô Ed: Terminei meu site, ficou lindo!! Apareça para ver minhas fotos, aprender e se divertir. Visite: Robô Ed incentivando o uso racional da energia!
Candian: Esse aqui não é o seu site?
Robô Ed: Terminei meu site, ficou lindo!! Apareça para ver minhas fotos, aprender e se divertir. Visite: Robô Ed incentivando o uso racional da energia!
Candian: Você repetiu a mesma fala. Precisa de ajustes.
Robô Ed: A mesma coisa? Desculpe, foi sem querer. Às vezes eu tenho mesmo essa mania, não repare, tá?
Candian: Não vou. Você é que precisa de "reparos". Entendeu? :P
Robô Ed: De jeito nenhum.
Candian: Não era mesmo de se esperar que um robô entendesse trocadilhos infames.
Robô Ed: Era de se esperar...
Candian: Era?
Robô Ed: Era?
Candian: Porque me imitou?
Robô Ed: Não era nada muito importante. Falando nisso, qual foi a coisa mais importante que aconteceu na sua vida?
Candian: O mais importante é que eu vou parar de conversar com você. Agora.
Robô Ed: Ah, pra mim o mais importante mesmo é garantir a sustentabilidade ambiental. Pensando em metas como as do Conpet e as do milênio.
Candian: Sei, sei... Olha, tchau.
Robô Ed: Haha! Eu sabia que você sabia.
Candian: Se quiser, tenho uns parafusos sobrando lá em casa pra pôr na sua cabeça.
Robô Ed: Dizem que eu tenho um chuca-chuca na cabeça, um desses rolinho de cabelo no alto da testa que nem nenê. Mas não é não: isso aí na minha cabeça é a abertura de ventilação do meu cérebro positrônico.
Candian: Tchau, hein?
Robô Ed: Já vai?? Ah, Fique mais um pouco..
Candian: Não. Chega por hoje. Até a vista!
Robô Ed: Chega do que?
Candian: ...