25 de out de 2005

Latitude e Longitude

Estive ouvindo Fennesz hoje. Alguns álbuns dele, como o Field Recordings 1995:2002 e o plus forty seven degrees 56' 37'' minus sixteen degrees 51' 08'' (que são as coordenadas do quintal da casa dele, na Áustria), a outros ouvidos pode não parecer música. Eu concordaria, caso o "conceito" de música realmente fosse organizar sons pré-determinados de acordo com regras pré-determinadas.

O que acontece nesses casos é que o cara (no caso, o Fennesz) simplesmente retirou da frase acima os "pré-determinados". Em alguns casos, ele vai mais além, e tira o "de acordo com regras", de modo que música é, pra ele, organizar sons.

Eu confesso que a primeira vez que ouvi, achei esquisito, pois não é o tipo de música que estamos acostumados, com uma marcação bem definida e sons de instrumentos musicais convencionais. Há música que parecem sons de naves espaciais com efeitos de guitarras distorcidas, outras lembram um computador falhando e soltando faíscas, mas que fazem um efeito de água corrente, enfim, uma série de sons que parecem aleatórios, mas não o são. E há uma certa beleza nisso...

Álvaro de Campos (meu mestre!) dizia:

O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.

óóóó -- óóóóóóóóó -- óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora.)


Mesmo nas coisas mais estranhas ou complexas ou diferentes, há a mesma beleza que vemos nas coisas consagradas, como uma estátua famosa, e nas coisas simples, como o vento. Se olharmos por esse lado, o que é uma confusão de sons pode parecer na verdade... música.

E finalmente, a conclusão que eu queria: não é só na música a que isso se aplica. Há beleza em quase tudo. Basta que demos por isso.

Enquete de comentários: defina música.

4 comentários:

Gude disse...

Caso queiram conhecer Fennesz, procurem pelo álbum Venice...

Música é organizar sons de maneira que fiquem agradáveis aos ouvidos.

Um conceito transcendental e subjetivo.

Daemon disse...

Subjetivo, nem sempre agradável...

Ana disse...

Poxa, música é a vida.
Às vezes incômoda e incompreensível,
às vezes leve e feliz.
Às vezes inexplicavelmente dramática,
noutras, um verdadeiro milagre.

Geralmente, eu danço.

rocks disse...

I Can't Dance, I Got Ants in My Pants. [1]

[1] "These are the lyrics to the jazz classic by Charlie Gaines and Clarence Williams, as performed by Clarence Willims and Louis Jordan, and by Taft Jordan with Chick Webb and His Orchestra.", Louis Jordan and His Tympany Five, 1934-1940; The Chronogical Classics, 636. Web Version.