12 de mai de 2010

A Ilha - Parte Final

Três mil e quinhentos anos após a declaração da independência, a Ilha de Torom-Yidelm prosperava como nunca. A dinastia Gharod governou até a sua 12ª geração, quando o Rei Gharod XII morreu sem deixar herdeiros, tendo como parente mais próximo seu sobrinho Tapan Herayach. Ele subiu ao trono sob o nome de Rei Tonrad I, e sua dinastia deixara mais 21 governantes. O Rei Tonrad XXII morrera numa expedição às cadeias montanhosas do norte da ilha, pois fazia questão de liderar seus comandados no campo. Como a expedição nunca voltara, o conselheiro real Kour Atale indicou o primo do rei para o trono, e todos no reino concordaram. Dyndel Herayach assumiu o trono como Rei Oldrod I, mas sua dinastia, ao contrário das outras, seria curta.

Neto de Dyndel, o Rei Oldrod III não esperava que fosse enfrentar uma guerra civil durante seu reinado. Tudo porque o racismo, que nunca havia deixado de existir na ilha, mas estava enfraquecido, começava a ganhar força. Jutta, a capital era uma cidade essencialmente élfica. O povo já havia esquecido que o Rei Gharod I, o unificador, a tinha declarado capital por ser a cidade mais antiga e, por consequência, mais populosa e importante da ilha. Os elfos por todo o reino se achavam inconscientemente melhores do que os humanos, pois eram eles que moravam na capital, a cidade mais importante.

Quando um famoso comerciante humano foi encontrado à beira de uma estrada entre Jutta e Deera coberto de flechas élficas, as críticas abertas começaram. Os humanos, a sua maioria concentrados em Deera, diziam que os elfos eram assassinos sanguinários e que devolveriam na mesma moeda a qualquer viajante com orelhas pontudas que se aproximasse de Deera vindo de Jutta. Os elfos se defenderam, e disseram que aquele assassinato foi feito pelos próprios humanos numa tentativa de incriminar os elfos e rebaixá-los, para poderem tomar o poder e transferir a capital.

O comércio entre as cidades havia sido interrompido. Ninguém que não estivesse fortemente armado ousava andar pela estrada. A ilha estava com sua economia parada, e a população começou a diminuir. Jinn, a par do conflito entre as duas maiores cidades, se declarava neutra, mas havia pressão de ambos os lados para que se aliassem a eles.

O Rei Oldrod III fez de tudo para acabar com o racismo. Criou leis anti-racistas, que puniam as pessoas que espalhavam a palavra segregadora por todo o reino com a morte. Várias pessoas foram decapitadas, inclusive líderes intelectuais de grupos racistas. Preteridos, estes grupos começaram a se encontrar na clandestinidade. Todo o movimento era feito debaixo dos olhos do Rei, que nada pode fazer para evitar o golpe político de Deera. Eles se declararam independentes. A princípio, o Rei Oldrod III disse não aceitar, pois gostaria de resolver o impasse politicamente. Quando foi à Deera para um diálogo, humanos mercenários, que não sabia distinguir elfos de meios-elfos, e que ainda estavam sob as ordens de matar qualquer elfo que se aproximasse da cidade, abordaram sem dó a caravana do rei, que tivera toda sua escolta assassinada covardemente.

Isso bastou para que a Grande Guerra Civil fosse desencadeada, na qual humanos e elfos, que antes haviam lutado lado a lado pela independência da ilha, agora estava de lados opostos, brigando pelo controle de suas respectivas cidades. A Grande Guerra Civil durou apenas três anos, e nenhum lado saiu vencedor. As forças simplesmente se esvaíam, os exércitos ficavam cada vez menores até que não havia mais como guerrear. E, antitéticamente, a paz se instituiu à força.

Desde então, as cidades têm seus próprios governantes, e são chamadas agora de cidades-estado. Eventualmente, o racismo deixou de existir escancaradamente, mas alguns elfos - principalmente em Jutta - ainda conservam o sentimento anti-humano. As estradas nunca mais foram seguras, apenas comerciantes escoltados por vários guerreiros mercenários se aventuravam por ali. E, devido à falta de tráfego, populações de criaturas bestiais começaram a se espalhar por toda a ilha, desde simples kobolds e orcs até dragões cromáticos e metálicos.

Sylarila Orinitas, a grande regente de Jutta, deixara em sua família a herança do comércio, e desde então é a família dela que detém a maior parte do tráfego de suprimentos e especiarias entre as duas cidades.

Esta é a história perdida da ilha onde nasceu Lena Orinitas, a guerreira de duas espadas, descendente da regente e herdeira direta do maior comércio da cidade élfica de Jutta.

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