15 de jan. de 2010

Dante Thriansky - Parte 3/4

A noite era fria. O comboio se reuniu à volta da fogueira para passar o tempo. Com as barrigas cheias depois do desjejum, a conversa era animada, apesar do incidente da última noite Gavrin e o chefe da caravana.

- Pois eu sei de um caso ainda melhor que o seu, Androvitch - disse Dellon. - Corre a lenda que, há três anos, em Breland, mais precisamente em Sharn, um homem chamado Danial, que se dizia um mago daqui de Aundair, subiu em um palanque em praça pública e pronunciou alguns dizeres contra as negociações comerciais entre as duas nações. Dizia asneiras como "Breland é imperialista" e que "Aundair é parasita". Era um discurso um tanto populista, e por isso, conseguiu juntar mais de cem pessoas à sua volta. Com um gesto rápido, hipnotizou todos que ali estavam lhe ouvindo e roubou todo o dinheiro deles. O pior é que todos dizem não se lembrar de nada, e ninguém tem provas disso.

- Mas como você sabe disso então, Dellon? - retrucou Androvitch.

- Ora, é uma lenda popular. Qualquer que já tenha visitado Sharn sabe disso. Você sabe...

Ele fez um movimento estranho.

- ... não sabe?

Androvitch ficou imóvel por um momento. Finalmente, como quem volta à superfície após estar afogando, disse:

- Sim... É-- é verdade...

- Exato. Como eu pensava. Mercadores ambulantes como vocês já foram a todas as partes.

Depois de uns cinco segundos nos quais o crepitar do fogo era o único som à beira da estrada, Dellon falou.

- Bem senhores, vou me recolher. Amanhã ainda temos muito chão pela frente antes de voltarmos para Marketplace.

Os outros se deitaram pensando porque nunca haviam ouvido falar daquela lenda em Sharn antes. Acordaram com menos um homem no comboio e menos todo o dinheiro que levavam.

PS: Comenta aí!

11 de jan. de 2010

Dante Thriansky - Parte 2/4

- Então até logo, tio Rednar - disse Podo, sobrinho de Aaron Hew, um dos comerciantes mais famosos de Cragwar, uma vila na na fronteira dos reinos de Breland e Aundair. Ele havia ajudado o parceiro de seu pai, Rednar Androvitch, um mercador ambulante de outra cidade, Marketplace, a descarregar as especiarias daquela semana.

- Até logo, Podo!

O comboio de comerciantes, chefiados por Androvitch e escoltados pelo famoso grupo de mercenários que a milícia de Marketplace havia contratado, partiu de volta ao vilarejo. "Missão cumprida, mais uma vez", pensava Androvitch. Pouco prestava atenção na insatisfação de um também famoso artificer que fazia parte do comboio.

- Veja, Dellon. Já fazem três meses que estamos ajudando este... este... gordo, e não conseguimos fazer uma renda minimamente decente. Pensei que variaríamos as rotas comerciais, mas escoltamos essa linha Hew-Androvitch umas 90% das vezes, e pra quê? Pra ganhar uma mixaria dessas?

- Acalme-se, Gavrin. Chegando em Marketplace conversaremos com o capitão Brinn. Ele nos entenderá e pagará o que merecemos. Mas, por ora, devemos ficar quietos.

- Não, Dellon, não vou ficar quieto. Já estou farto disso! Eu preciso de dinheiro para pagar meus estudos, e essas escoltas estão tomando meu tempo de estudos, portanto estou ficando sem dinheiro e sem tempo! Como vou concluir o meu curso assim?

- Olha só, podemos barganhar com o capitão. Garanto que ele vai nos entender.

Gavrin estranhou.

- Você me parece bem confiante, Dellon.

- Bem... Vamos apenas dizer que eu tenho... hmmm... lábia.

Gavrin se acalmou um pouco. Afinal, a inabalável confiança do companheiro estranhamente lhe havia dado alguma também. Mas viajou sem parar de pensar no seu baixo soldo.

Subitamente, Gavrin falou.

- Ei, Androvitch! Será que você não poderia nos dar uma comissão? O soldo que o Capitão Brinn nos dá é bem baixo, não acha?

- Comissão? Comissão?!? Ha! Você só pode estar brincando. Você já ganha o bastante para estas viagens, meu jovem, não precisa de mais. Fique quieto ganhando seu dinheiro, ok?

Aquilo foi só a fagulha para a combustão que estava adormecida.

- Meu jovem??? Quem você pensa que é, seu porco nojento? E quem você pensa que eu sou?? Não sou um aventureiro qualquer, meu caro, eu sou acadêmico! E só fiz esse trabalho sujo de escolta porque precisava urgentemente de dinheiro! Não pense que foi pela aventura, pois elas não me valeram de nada!

Dellon arregalou os olhos, mas tentou acalmar o companheiro.

- Gavrin... Não faça--

- E quer saber? Eu estou fora! Pra mim já basta dessas aventurazinhas imprestáveis! Eu tenho mais o que contribuir para o mundo! Vou arrumar uma maneira de ganhar algum dinheiro e concluir a faculdade, e aí você vai ver só quem eu sou, seu elefante asqueroso!

E sem mais uma palavra, saiu da estrada em direção ao nada.


PS: Gavrin veio posteriormente se tornar o Prof. Gavrin, artificer. Ele era o personagem de um jogador.
PS2: Histórias de personagens cruzadas são legais.
PS3: Aparentemente sem conexão com a história anterior? Aguarde o próximo capítulo. Ou deduza você mesmo. :)
PS4: Comente algo, por favor!

5 de jan. de 2010

Dante Thriansky - Parte 1/4

Feliz 2010!

Alô? Alguém ainda vem aqui?

Não que isso esteja com teias de aranha por toda a parte, mas pelo menos empoeirado isso aqui está. Levantemos e sacudamos, pois, a poeira, e demos a volta por cima.

(Alguns verbos no imperativo ficam bonitos, né? Bem, voltando.)

Como não tinha nada de interessante vindo do meu cérebro presente, resolvi colocar aqui, pra reativar este espaço, alguns textos que escrevi antes. Nerds ou não.

Alguns são profundos. Mesmo. Outros são cheios de metáforas óbvias, outros são óbvios sem metáforas, e outros são pura fantasia. E é com esses que começarei a sessão. Ainda não sei sobre a periodicidade, talvez um por semana... Depende do clamor dos meus (dois) leitores.

Senhoras e senhores (eventuais) leitores, apresento-lhes o rápido background em quatro partes de um de meus personagens de RPG recentes. Ele se chama Dante Thriansky e é especialista em enganar os outros através de mágicas. Para os mais nerds, ele é um humano beguiler, e o jogo foi ambientado em Eberron.

Ah, e se você leu isto, por favor, por favor mesmo, deixe um comentário apenas para eu saber que você leu. Sério. Só pra eu saber se ainda tem audiência. Tá bom? Ok? Então beleza. Valeu!

Com um golpe de espora, Porter Achen, o mensageiro oficial da guarda de Marketplace, fez seu cavalo galopar. A chuva fina pingava diretamente em seu rosto, e cada gota era como uma minúscula gilete, tal a velocidade do corcel. Mas ele confiava em sua fiel montaria. Sua respiração era tão forte que se misturava com o galope do cavalo no terreno úmido.

Ao se aproximar dos portões do pequeno vilarejo de Marketplace, os guardas logo reconheceram seu consorte ao longe. Abriram o portão no momento exato em que ele cruzou o muro. Porter escalou algumas ruas e chegou à sede da guarda, onde Lionel Brinn, o chefe do regimento, o aguardava do lado de fora.

- Senhor, senhor! - disse, ofegante. - Trago notícias perturbadoras! Ele está aqui!

- Acalme-se, Achen. Desça do seu cavalo e diga com calma.

Obedecendo seu comandante, Porter arriou.

- Senhor, o Escultor de Mentes está na cidade! Ele pode ser qualquer um!

- O Escultor? Tem certeza, Achen?

- Sim, senhor. Acabo de vir de Passage, ouvi rumores de que ele se encontrava em Fairheaven e depois passou por lá.

- Há quanto tempo ele saiu da capital?

- Não sei ao certo, senhor, mas os rumores em Passage datam de três meses atrás.

Brinn pensou por uns momentos.

- Creio que temos alguns suspeitos. Aquele bando de mercenários que contratamos para ajudar nas escoltas dos nossos mercantes... Me lembro que um deles chegou aqui há mais ou menos uns três meses. O nome dele era Dellan... Dillon... Dellon!

- De qualquer forma, senhor, teremos que esperar eles voltarem de Cragwar. O último carregamento partiu há uma semana, eles já devem estar de volta amanhã.

- Não os deixe entrar na cidade, Achen. Vá até as cidades vizinhas e envie a mensagem. Se ele escapar das nossas garras, estará cercado. E terei todo o crédito por ter capturado o Escultor. Ha!

- É claro, senhor.

Mais rápido que o vento, Achen pegou o trem para avisar Ghalt e Passage. De lá, desceria até Arcanix e voltaria pela estrada de Larunor até Marketplace.

30 de nov. de 2009

Unbreath

Eu tinha pensado em uma metáfora elaborada sobre como temos que reiniciar nossas vidas algumas vezes. Reiniciar mesmo, igual a um computador lento. Tinha pensado em como isso libera nossa mente, que seria a memória; como ajuda a organizar as informações de uma maneira melhor; como esfria o nosso "processador".

Elaborada, né? Nem tanto. Mas depois que já tinha pensado tudo isso, eis que me bateu a conclusão: ela é inaplicável.

Reiniciar é iniciar de novo. O mesmo processo. Igualzinho. E não é isso o que eu preciso. Preciso de uma mudança de direção. Preciso de um software novo. Ou, um sistema operacional novo.

Sem mais metáforas, preciso de um objetivo novo. Cansei do atual.

Mas! Sempre tem um "mas".

Estou preso nas circunstâncias. De novo. Meu altruísmo não deixa que eu sacuda a poeira e dê a volta por cima. Ainda não dá pra fazer isso. Se eu chutar o pau da barraca, ela inteira cairá sobre as cabeças de muita gente além da minha. Não posso.

Eu até já me decidi várias vezes. Mas sempre paro estes meus planos logo antes da fase de execução. Cheguei a tomar atitudes que levavam aos finalmentes dos planos, mas nunca cheguei lá de verdade.

...é, é só um desabafo mesmo. A conclusão é que preciso de novos objetivos, mas não posso persegui-los agora. Então, terá que ser como é. Por enquanto.

Em tempo: se você se preocupou comigo, fique tranquilo. Está tudo bem no que se refere somente a mim.

Hm. Às vezes sou enigmático demais, até pra mim. Ou óbvio demais.

Hm...

26 de out. de 2009

Dayduh-reaming

Eu tenho aspirações malucas. Não é o que se pode chamar de sonho, porque sonho é coisa que se corre atrás. Eu quero, mas não é a coisa que eu mais quero no mundo.

Breve histórico? Minha paciência é famosa. Todos dizem que sou paciente, até irritantemente demais. Mas se tem uma coisa que me ferve o sangue é a falta de noção. No sentido de que as pessoas não sabe viver em sociedade. Traduzindo: pessoas folgadas, sem educação.

Exemplo é nego furar o sinal vermelho me dá nos nervos. Jogar lixo pela janela do ônibus. Não estar nem aí para o espaço que os outros têm direito na cidade. Falta de cordialidade - e até de educação, básica.

Daí me vem que eu gostaria de mudar este quadro. Mas como? Espalhando a palavra? Daria certo, pois uma coisa que a pessoa ouve mas não concorda ressoa. E essa pessoa passa o "absurdo" que ouviu pra frente. Porém, viro um chato. Um moralista. Eco-chato, também. Então, às vezes, é melhor ficar quieto.

Então vem a aspiração maluca. Como fazer mais pela sociedade, como poder emitir a opinião e ser levado em conta, mesmo que discordem? Há várias formas. Jornalismo é uma delas. É o quarto poder. Outra é o próprio poder: o público.

Não sei se me conhecem o suficiente ou se acham que sou competente o suficiente para votarem em mim, caso eu me candidatasse a algum cargo dessa natureza. Nem filiado eu sou. Mas sou politicamente atento. E tenho minhas opiniões - que podem não representar as suas. Aprendi a respeitar a diversidade das pessoas.

Talvez venha daí a minha paciência. Ou, no máximo (ou mínimo?), tolerância.

Mas como disse, é algo que quero, mas não faço força. Quem sabe um Vestibular 2011? Ou 2012...

20 de mai. de 2009

Discordo de Vinicius e de Camões

É claro que discordar ao mesmo tempo de dois poetas deste calibre é quase uma afronta à língua-pátria em si. Mas discordar de um poema é fazer outro.

Este, em dois atos, foi inspirado em uma conversa-de-madrugada-pré-noite-mal-dormida-por-ansiedade-causada-por-motivos-não-relacionados. Não é pra entender mesmo.


- I -

O fogo é efêmero.

É preciso alimentá-lo, constante e incessantemente.
Senão, com o passar do tempo, o fogo vai se esvaindo.
E ele precisa que seja alimentado em duas frentes.


A água é eterna.

Ao contrário, a água permanece. Inteira e segura.
Com o tempo, vai mudando de forma e de lugar.
Mas fica, mutante, existente por si própria.


O fogo é dependente.

Ele não existe sem as condições necessárias.
É rápido, mas consome tudo rapidamente e some.
Tem dificuldade em sobreviver sozinho.


A água é emancipada.

Ela consegue existir praticamente em qualquer lugar.
E consegue ir facilmente para qualquer outro lugar.
Sem nenhum esforço.


O fogo é uniforme.

Não existe em outras formas e roupagens.
Só existe ali, daquele jeito, da mesma forma.
Nos dá sempre a mesma sensação.


A água é mutante.

É possível encontrá-la sob várias formas.
E, por isso mesmo, está em todos os lugares.
E nos provoca os mais variados sentimentos.


O fogo é ávido.

Ele facilmente sai de controle.
E, com isso, quase sempre nos machuca.
Nem sempre é fácil apagá-lo sem o tempo.


A água é serena.

É fácil direcioná-la para onde você quer.
É refrescante, é relaxante. Ela cura.
Com ela, é fácil limpar e purificar.


O fogo é cinzas.

Cinzas que quase nunca são aproveitadas.
Aliás, ao contrário: servem apenas para bagunçar.
E depois dá um trabalhão para limpar.


A água é renovação.

Ela é um dos resultados do próprio processo.
Com ela, dá pra limpar as cinzas que o fogo deixa.
Aliás, ela sempre te dá exatamente o que você quer.


Não sou, apesar de tudo, contra o fogo.
Nas doses certas, todos gostamos.
Pois o fogo e a água não se cancelam.
Se complementam.


- II -

Minha vida é um ribeirão
Que encontrou outro riacho.
Com este virou turbilhão
Que corre gerando facho:

Uma labareda gigante
Sobre calma sepulcral.
Seguem juntos, adiante
Só que o mar não é o final.

Nossa poesia é, do mar aberto,
Voltar à nascente inicial.
Nossa poesia faz fogo de água:
Pois digo que a poesia é o real.

26 de abr. de 2009

Um pequeno teste

Isto aqui é só um pequeno teste, para ver o imenso mash-up que fiz usando meu blog, YouTube, Picasa, Twitterfeed, ping.fm, Twitter e Identi.ca. Desculpe se você veio aqui à toa;

5 de abr. de 2009