19 de abr de 2010

A Ilha - Parte 2/6

Após alguns anos de período regencial, a ilha de Radek'a começou a funcionar como uma colônia de exploração para o continente. Os suprimentos, matérias-primas, especiarias e plantas típicas eram tidos como relíquias por lá, inclusive gerando problemas de contrabando (principalmente por parte dos humanos). Esses itens eram caríssimos no continente, e tudo o que se achava na ilha era mandado para lá. Com isso, Kacz passou de um desenvolvimento para um regresso. A economia da cidade estava paralisada, a população diminuía. Isso tudo gerou um vontade separatista em alguns clãs da cidade, na maioria deles anões.Eles discordavam da forma como os regentes administravam a cidade e a ilha. Gonfrak nada podia fazer para representar o interesse de seus irmãos, pois Acklald e Sylarila estavam sempre com as mesmas opiniões, e sempre condizentes com as do continente.

Nesse cenário, a tensão entre os grupos raciais aumentava na ilha, e isso se refletiu no continente. Os anões estavam começando a querer uma separação, e muitos clãs abandonaram Kacz e rumaram ao sul. Lá, fundaram uma cidade portuária, Ormdend. Como detinham as tecnologias de navegação, puderam se comunicar com a outra cidade portuária, no continente, que também era habitada em sua maioria por anões: Whodough. Criou-se uma rota alternativa de comércio entre as cidades, além da estabelecida por Kacz.

Por fim, todos os clãs de anões já haviam saído da cidade, e por causa disso, Gonfrak se viu forçado a se retirar do conselho regencial da Kacz. Ele foi para Ormdend, e lá foi declarado primeiro-conselheiro da cidade, que era governada por Curak Achdrad, um anão que vinha de uma família de tradição guerreira.

A tensão no continente começou por influência dos problemas na ilha, mas cresceu para um patamar incontrolável no parlamento. Líderes anões protestavam ante a negligência dos primeiros-ministros com a situação em Radek'a, enquanto os líderes de humanos e elfos tinham opiniões parecidas, mas não tão semelhantes ao ponto de não se perguntar o motivo da união tão ferrenha dos dois líderes insulares de seus povos. Acklald e Sylarila estavam sempre apoiando um ao outro, às vezes até contra os interesses de seus povos.

A crise desencadeou-se de vez com a denúncia de influência maligna de líderes racistas do continente sobre Acklald e Sylarila. Membros parlamentares que eram a favor do remanejamento do conselho regencial insular descobriram um plano arquitetado e orquestrado principalmente por alguns elfos continentais para expulsar os anões da ilha e, posteriormente, do continente. Caso as denúncias se comprovassem, ao que parecia o plano corria muito bem, pois a tensão em Radek'a crescia ininterruptamente, ao ponto de as novas gerações já crescerem com o ódio racista insuflado em seus corações.

No continente, o parlamento se dividiu. Os autores da denúncia, em sua maioria anões, porém com a presença de alguns elfos e humanos, se juntaram os outros anões e passaram a frequentar a parte esquerda do parlamento. Humanos e elfos, à exceção dos denunciantes, ficaram à direita. Os primeiros-ministros passavam por constantes ameaças dos parlamentares das outras raças, que diziam que iriam derrubá-los do poder.

A situação se tornou insustentável quando um dos humanos que assinou a denúncia fora assassinado. A dúvida era se ele tinha sido assassinado pelos próprios humanos devido ao apoio aos anões ou se tinha sido assassinado pelos anões, que alegariam a má influência dele sobre lideranças da raça.

A guerra era iminente, e quando o primeiro-ministro anão também foi assassinado, o parlamento fora dissolvido e a guerra nem precisava ter sido declarada - ela já estava em andamento. Na ilha, os regentes Acklald e Sylarila decidiram mudar o nome da cidade para Jutta, pois Kacz era um nome de origem anã, e declararam guerra a Ormdend.

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