13 de fev. de 2010

O Caixeiro Viajante - Parte 2/4

O caixeiro se viu fora do Castelo Celeste. Por um momento, pensou ser um truque da
mágica das três mulheres... Não. Não poderia ser. Elas não pareciam ter algum poder.
Será que aquele corredor tinha algum poder mágico? Será que perdi a consciência? Não
fazia sentido...

Seu pensamento foi interrompido por um garoto:

- Moço? Tudo bem com você?

Somente com a pergunta do garoto que o caixeiro se deu conta do lugar onde se
encontrava. Ainda estava dentro dos muros. Ao longe, o Castelo Celeste. No
descampado, as mesmas aldeias. A terra onde deitava estava molhada; o caixeiro logo
deduziu que uma chuva tinha acabado de terminar.

- Moço?

- Estou bem, garotinho - disse.

O garotinho abriu um sorriso tão inocente que fez com que o caixeiro sorrisse também.
Correu na direção de uma das barracas:

- Mamãe, mamãe, ele está bem!

O caixeiro se levantou e olhou novamente para o castelo. Quis entender o que havia
acontecido. Em pé, à frente da porta principal, a mesma jovem que disse o esperar em
seu sonho. Ela parecia vigiá-lo de longe...

- Ah, aí está você - disse uma senhora, que o caixeiro instintivamente adivinhou ser
a mãe do garotinho. - Então você finalmente acordou. Venha, coma conosco.

- Onde estou? - o caixeiro não se aguentou.

- Este é o Reino Celeste.

- Reino Celeste... Nunca ouvi falar.

- Não é muito conhecido, pois poucos viajantes se interessaram em entrar aqui. Alguns
têm medo.

- E quem governa estas terras?

- Não há governantes. Nós governamos a nós mesmos.

- Então quem mora no castelo?

- Os quatro entes.

O caixeiro tremeu.

- ... quatro?

- Sim. Kerub, o corpo azul; Seraph, o espírito branco; Ariel, a mente anil; e
Tharsis, o coração vermelho.

O caixeiro não podia acreditar. Começou a duvidar que tenha sido um sonho... Sua
cabeça estava confusa.

- E por que eles moram lá?

- Eles são a essência do nosso povo. Nós somos eles, e eles são nós.

- ... não entendi.

- Não se preocupe em entender. Imagine apenas que eles são as pedras preciosas, e nós
os joalheiros. Eles, por si só, já seriam plenos, mas nós os lapidamos. A harmonia é
essencial.

O caixeiro permaneceu em silêncio, pensando no que significava aquilo. Não demorou
muito, e uma jovem muito parecida com a de seu sonho foi até ele.

- Senhor? Os quatro entes o querem ver em 16 noites, a contar de hoje.

- Me ver?

A jovem sorriu docemente, se virou e caminhou em direção ao castelo. Vendo a cara de
dúvida do caixeiro, a mãe aconselhou:

- Vá. Não se pode desperdiçar uma oportunidade de ir até a fonte. Mas, enquanto isso,
fique conosco. Temos muito a oferecer!

E sem que o caixeiro se desse conta, já havia várias fogueiras e camponeses tocando
músicas e dançando. Era impossível não se contagiar com aquilo.


... e então se passaram as 16 noites.

10 de fev. de 2010

O Caixeiro Viajante - Parte 1/4

O título é batido pra quem fez o mesmo curso superior que eu. Mas a história é o que importa, então, vamos lá.

Era uma vez um caixeiro viajante. Desses que andam estradas e estradas vendendo suas bugigangas. Um dia, esse caixeiro passou em frente a um castelo. Quando viu o castelo pela primeira vez, o caixeiro pensou que fosse apenas mais um castelo, como todos os outros. Muros altos e um portão bonito, mas pouco atraente.

O caixeiro não quis entrar, a princípio. Mas, como se soubessem que ele estava ali, em frente ao castelo, o portão começou a abrir. Quando o grande pedaço de madeira desceu ao chão, encostando na outra margem do fosso que cercava o castelo, ele pensou que provavelmente eles estariam o convidando a entrar.

Sem saber porque, ele foi.

Lá dentro, o caixeiro se impressionou. Cercado pelos muros, haviam muitas barracas e aldeias no descampado do castelo. Muitos camponeses se reuniam em festa. Cantavam, dançavam e acendiam fogueiras. O caixeiro nada entendeu, pois apesar da pobreza aparente, os camponeses eram muito felizes.

Mais adiante, já perto da grande construção em pedra sabão que era o castelo, o caixeiro avistou uma pessoa na porta. Era uma figura toda em azul, que parecia esperá-lo. Ao se aproximar, percebeu se tratar de uma jovem, extremamente atraente. Ele se lembrou de uma de suas histórias ao olhar para a jovem. Quando se aventurou na região perto de sua terra natal, conheceu uma pessoa muito parecida com a jovem. Mas isso é uma outra história...

A jovem, quando da chegada do caixeiro, disse:

- Esperávamos você. Venha...

A voz dela parecia sumir no vento.

O caixeiro pensou estar sonhando. Como sabiam da chegada dele? Como sabiam que ele iria entrar? A voz daquela jovem...

À medida que entravam pelo castelo celeste - sim, pois ele brilhava como as estrelas e era de um azul profundo e sereno - ele foi ficando mais calmo e feliz, sem motivo aparente. Seria mágica? Ele já não entendia nada, mas sentia-se profundamente atraído por aquele lugar...

Eles chegaram a um portão, que tinha quatro faixas paralelas no meio: branco, azul, anil e vermelho. Quis entender o que significava aquilo. Foi quando os portões se abriram e, sem que a jovem falasse, ele entrou, como se já soubesse o que fazer.

Lá dentro, ele se surpreendeu. Viu três mulheres ainda mais belas que a jovem. Sentiu uma coisa intensa ao olhar para as três, mas não soube definir o que era...

Elas estavam vestidas com uma túnica simples, as quais deixavam seus belos corpos bem realçados. Cada uma tinha uma cor. E também uma idade, aparentemente.

- Eu sou o corpo - disse a jovem, que estava ao centro.
- Eu sou a mente - disse a velha, que estava à direita.
- Eu sou o espírito - disse a criança, que estava à esquerda.

O caixeiro reparou que elas se vestiam com três das quatro cores da porta: branco, anil e azul. Sem saber porque, perguntou:

- Onde está o coração?

As três se entreolharam e abriram um grande sorriso... Então, elas se recolheram à direita do salão, deixando à mostra a entrada de um corredor. Acima dela, havia um pequeno símbolo vermelho, que lembrava a figura de um cisne.

O caixeiro ficou surpreso. Não sabia como não tinha percebido o corredor antes. Não sabia o que fazer. Mas, instintivamente, ia em direção ao corredor. Começou a ter uma vontade enorme de atravessá-lo...

... mas hesitou.

Teve medo.

Então o caixeiro começou a pensar no que poderia estar se metendo... E resolveu parar. E agora ele pensa se deve ou não entrar...

5 de fev. de 2010

May

Como esta, aqui vai mais uma letra de música sem arranjo.

Hey, glass one
Can your heart listen to me?
I'm here, waiting not for you
But for you to be

Hey, stone one
Do you think you can cheat me?
I can taste in your words
That you are overseas

Hey, shut one
You're afraid of what?
The future is uncertain
Never knew what you got

(chorus)
Release, let go
You didn't have to change
You didn't have to fear
Release, let go
I have some to exchange
That feeling that I'm near

If I hurt you again
I'll heal it again

You, confused one
May have already passed
And I still feel like 13th
That day I'll never forget

You, hot-hearted one
Who launched me up there
That got me laid down
And caressed all my hair

Yeah, you, melty one
I think you deserve this
At least a brick of the mansion
That you builded in a kiss

(chorus)
Release, let go
You didn't have to change
You didn't have to fear
Release, let go
I have some to exchange
That feeling that I'm near

If I hurt you again
I'll heal it...
Again...

1 de fev. de 2010

Poema Elemental #3

Nota: O jogo em questão não foi exatamente assim, e os jogadores sequer sabiam das informações abaixo. Portanto, essa é uma história de ficção - duplamente qualificada.

Ventava lá em cima, mas o silêncio era absoluto. Era como se os ares tivessem ganho vida própria e guiassem o navio voador que levava os aventureiros. Lá embaixo, a Nimaídia. Ninguém falava nada, nem sabia para onde o navio os estava levando.

- Ok, pessoal, acho que entendi - falou Kranus, repentinamente. Todos o olharam, mas demoraram a se aproximar.

- Lembrem-se do primeiro pergaminho. Falava sobre a torre em que descíamos, que libertaríamos uma força misteriosa, e que teríamos um inimigo. Teve o carinha do fogo lá em Romani, que era o mestre da nossa clériga, a Katrina aqui, lembram? Ele tava possuído, e quando recobrou a consciência, viu que tinha feito bobagem e se matou. Aí, ganhamos esta gema vermelha, e toda a Nimaídia começou a esfriar.

Os outros tentavam entender onde o feiticeiro queria chegar.

- Bem, vimos um dragão que mudava de cor... - susurrou Katrina, na tentativa de quebrar aquele clima de palestra.

- Um dragão, não,
O dragão - Kranus interrompeu a gnomo. - Seguindo-o, chegamos à montanha na península do sudeste, aquele pico esverdeado. Tivemos até que mergulhar na terra. Lá, encontramos o segundo poema escrito na parede. Ele falava sobre frio sendo libertado, e que o inimigo morreria se tentasse impedir. Pelo menos foi assim que eu interpretei.

Mais uma pausa.

- Logo que o achamos, fomos atacados pelos trigêmeos. Vencemos com custo, mas aquilo me pareceu mais um teste do que propriamente um inimigo, pois depois da batalha encontramos esta gema verde. E, coincidentemente ou não, toda a Nimaídia passou a ter ventanias como nunca antes foram vistas.

As palavras do feiticeiro ressoaram com o vento. O navio havia chegado ao seu destino.

John Dumadin estava confuso. Era um bárbaro, tinha dificuldades para raciocinar com clareza. Olhou para os livros que sua mãe, Sian, lhe dera na noite em que ele a conheceu. A mesma em que ela se foi. Ironicamente, o anão, que viveu sua infância com amnésia, se lembrou do que ela havia dito em seu leito de morte.

Os pensamentos passam rápido, mas são interrompidos quando Kranus retoma:

- Agora, vejam este, que encontramos no famoso Derjan, o monte dos ventos eternos:

One can hold
this scroll of power
and access the flow
of the autumn hour

For its spell will fly
in the speed of air
bringing justice
to this evil lair

When the enemy takes
her face outta the wind
she'll sleep at once
and her soul'll be pinned

Kranus achou que todos haviam compreendido instantaneamente.

- Achamos esta gema amarela. As grandes ventanias se desfizeram. E estamos voando, não estamos? Na velocidade do ar?

Ninguém disse nada.

- Não vêem? Derrotamos o guardião da gema vermelha, um especialista em fogo, e as nevascas apareceram. Destruímos os guardiões das gemas verdes, três crianças feitas de terra pura, e as ventanias apareceram. Vencemos um velhinho que controla os ares, guardião da gema amarela--

- ... e as ventanias desapareceram! Entendi! O equilíbrio entre terra e ar foi reestabelecido - concluiu Abrieht, sorridente. - Ao derrotarmos um guardião, o elemento perde força, e com o desequilíbrio, o elemento oposto fica mais forte. Daí as nevascas e ventanias.

- Conclusão digna de um druida, caríssima fada - replicou Kranus com um certo desdém. - É por isso que nossas magias baseadas nesses elementos perderam força.

- Portanto, só precisamos reequlibrar o fogo e a água, e as nevascas desaparecerão? - perguntou Iluvatar.

- Exatamente. "Só" o que temos que fazer é achar o guardião da última gema, que, pela lógica, deve ser azul. E este pergaminho, o dos Ventos, contém as instruções.

Vujak, que quase nunca falava nada, surpreendeu a todos arriscando:

- E o inimigo do poema, o tal guardião, é um dragão?

- Já falei, não é um dragão qualquer! - repetiu o feiticeiro, impaciente. - Ele é o dragão que me deu estes poderes. Eu o conheço desde quando eu era pequeno. Ele está com problemas e eu... Eu preciso salvá-lo. Ele tem um bom coração, mas está diferente, mau. Ele é azul metálico, e não multi-cor como vimos...

Kranus pensou um tempo.

- Mas não posso garantir que ele é, de fato, o guardião da gema azul. E nem que encontraremos o último pergaminho. Mas é o que está escrito neste que acabo de ler.

O navio voador encontrava-se, agora, parado acima da montanha onde Kranus nasceu. Dali, Vujak viu uma enorme cratera, que aparentemente ia dar no fundo da Cordilheira dos Garens. O ranger sabia o que aquilo significava.

O grupo se entreolhou.

- Acha que essa história basta para que você nos convença a descer até lá com você? - perguntou o Bardo, ceticamente.

Kranus estremeceu. O olhar que Iluvatar lhe lançou foi tão inquisidor que ele quase sentiu que a luz que chegava ao olhos do ladino voltava para ele. Suspirou:

- E que escolha vocês têm?

Uma brisa silenciosa passou pelo convés e a vela principal farfalhou.

PS: Se leu, deixe um comentário!

28 de jan. de 2010

As Luas Pastoras - Faixa 3

Ao som de Enya - How Can I Keep From Singing?

A jovem canta pelo seu amado. Espera sua volta. Sentada na cama, as palavras apareciam em sua cabeça. A melodia era inventada na hora. Caminhou até a janela e lamentou.

Da janela, ela via a praça. Um casal conversava. Ela viu o seu amado ali. A mulher, era ela. Instintivamente, continuava cantando. Sem perceber. Pensava e cantava.

Seus olhos remeteram à estátua: era a de seu pai. A espada que a estátua empunhava era brilhante. Olhou para o rosto da estátua: viu o seu amado. Sentiu dor no coração. A espada era realmente muito brilhante. A música countinuava. Alguém parecia cantar com ela.

Ouviu algo: era uma estrela cadente. Fez um pedido. Então, aquele cavaleiro que acabara de sair da estalagem começou a lutar com a estátua. Estranhamente, ela não sentiu medo. Ficara observando a luta. Sem parar de cantar.

As espadas, quando se encontravam, produziam faíscas, mas som algum. A luta, apesar de árdua, era suave. Os movimentos dos gladiadores eram lentos. Ela percebia tudo.

Até que o cavaleiro venceu a luta com a estátua. A estátua caiu de joelhos. A espada perdeu o brilho. Ela apertou contra seu peito aquela medalha. A estátua cáia morta no chão da praça. O cavaleiro deu as costas e foi embora. Seus olhos se encheram de lágrimas. A música era incessante.

Saiu da janela: na cama havia algo. Aproximou-se, e viu uma carta. Abriu: era o seu amado. Dizia que voltaria logo. Na janela, ela percebeu alguém. Teve vontade de fugir, mas foi interrompida pela suavidade do contorno daquela criatura. Sim, era ela quem cantava. A música adormeceu a moça. Dormiu em meio às suas lágrimas, pensamentos e versos daquele espírito.

25 de jan. de 2010

As Luas Pastoras - Faixa 2

Ao som de Enya - Caribbean Blue

A mulher desceu à Terra. Desceu em uma floresta. Pares de olhos pipocaram: eram elfos crianças. Ela caminhou em direção ao que parecia ser a luz de uma vila. Enganou-se. A luz vinha de uma outra moça, mais jovem. Olhou as orelhas: eram pontudas. A bela elfa disse:

"Eurus, Afer Ventus"

Aquelas palavras deixaram a mulher em transe. Sem que percebesse, as crianças saíram de trás das árvores e começaram a cantar. Faziam uma roda em torno dela. A mulher, em uma resposta instintiva, fechou os olhos. As vozes das crianças entravam em seu ouvido como uma cachoeira. As crianças a levaram para um campo aberto.

Eis que ela se viu em um lugar mágico. Fadas voavam. Ela olhou em volta: nada havia, apenas seres que ela pensava não existirem. Então ela se entregou à música, e da mesma forma que fez com as luas, fez o seu balé com os pequeninos elfos. Era uma coreografia perfeita.

A jovem elfa apareceu do nada. Disse mais algumas palavras. A voz dela era melodiosa. A mulher, ao ouvir a voz daquela elfa, quis levá-la aos céus. A elfa fez menção de não querer ir por um momento. Porém, a mulher pegou a mão da elfa.

Foram às alturas, sem que a música que as crianças cantavam ficasse mais fraca. Elas sentiam o coração flutuar. A elfa, logo que teve o privilégio de ver o mundo de cima, perdeu o suposto medo. A mesma luz azul que refletiu antes na face da mulher as envolvia. Elas voaram até as luas. A mulher largou a mão da elfa: naquele instante, ela hesitou, mas as luas eram tão belas!

As que antes eram duas, agora eram quatro. E o balé era perfeito. Mais ainda que o primeiro. As luas voltaram a cantar. Luzes dançavam, estrelas cadentes passavam como pássaros pelas quatro. As luas cantavam de maneira ainda mais bela.

A mulher então não resistiu: cantou com as três. As vozes eram como os acordes de um piano, porém mais suaves. Elas viajavam pelo céu, causando um efeito luminoso. As luas tomaram as formas humanas que haviam tomado antes: os cabelos das quatro se entrelaçavam de maneira que pareciam ser um só. Elas se cruzavam e se afastavam. O brilho era tal que em um instante foi muito forte...

(...)

Então a mulher percebeu que tinha que procurar abrigo. E seguiu seu caminho.

22 de jan. de 2010

As Luas Pastoras - Faixa 1

A próxima sequência é na verdade um trabalho interrompido. A idéia era escrever pequenos contos, cada um análogo a uma música de um famoso álbum da Enya, Shepherd Moons, e os textos deveriam ser lidos ouvindo as músicas. Infelizmente, só fiz as três primeiras faixas. Talvez eu as complete em algum dia.

Ao som de Enya - Shepherd Moons

Lá estava ela. Sentada na nuvem. Olhava as luas: uma encobria a outra. Uma era acinzentada, e a outra dourada. As duas se uniam no céu. Elas pareciam cantar. Cada uma tinha sua própria voz. Os tons se encaixavam perfeitamente em uma harmonia indescritível.

Eis que então elas se moveram. Faziam um balé no céu. Uma ia em direção oposta à outra. Quando menos se percebia, elas se cruzavam. A junção das duas no céu refletia um brilho azulado na face daquela mulher. As luas eram tão lindas! Tudo em volta deixou de existir. Eram apenas as três. A nuvem na qual a moça sentava de desfez. Ela voava. Sem perceber.

Então, aquela moça que até agora só observava, sentiu uma imensa vontade de se unir às luas. Ela subiu aos céus. Cantou com elas. As três vozes se encaixavam também em uma harmonia indescritível. Porém, era algo diferente. Agora, as vozes criavam uma luz brilhante, cuja cor era algo entre negro e azul. E as luzes envolviam a moça e as luas. O balé se tornou algo espontâneo: as luas agora eram três, e eram agora mais lindas que antes. As luas tomaram forma humana: o cabelo era sua luz.

De repente as luas pararam de se mexer e de cantar. A mulher percebeu que havia sentido algo que jamais sentira. Sentiu viver.

18 de jan. de 2010

Dante Thriansky - Parte 4/4

Dellon - ou melhor, Dante - sabia que teria que chegar a Arcanix antes do amanhecer, se quisesse ter alguma chance de não ser encontrado pelos seus ex-companheiros agora. Correu o mais rápido que pôde e se escondeu em uma pequena floresta ali perto.

"Algo me diz que fiz a coisa certa", pensou. Com a experiência de andarilho que possuía, estava fácil prever quando a notícia de que o Escultor de Mentes estava em Marketplace. "A essa hora, o Capitão Brinn deve estar morrendo de raiva", riu de si mesmo.

Um pouco de mágica para mudar a sua aparência e Dante estava no caminho novamente. Desta vez, usava um traje de sábio e uma ilusão que o fazia parecer ter uma longa barba branca. Curvou-se um pouco, jogou seu capuz sobre sua cabeça e foi andando normalmente pela estrada até Arcanix. Porém, as ilusões e disfarces foram desnecessários, pois estranhamente ele não encontrou ninguém pelo caminho.

Chegando em Arcanix, tratou logo de desfazer as ilusões e usar um bigode postiço. "Sem mágica aqui", determinou. "Preciso de abrigo."

Dante teve a nítida sensação de que muitas pessoas o observavam até a estalagem mais próxima. Ficou pensando se seu bigode postiço estava meio torto.

- Um quarto, por favor - disse ao estalajadeiro.

- Pois não, senhor. Qual o seu nome?

- Diran. Diran Malinsky.

- É uma peça de ouro por noite, Sr. Malinsky. Trabalhamos com pagamento adiantado.

- Tudo bem.

Dante jogou uma moeda de ouro sobre o balcão e acompanhou a bela assistente do estalajadeiro até o quarto. Antes de entrar, não resistiu.

- Desculpe, mas uma criatura tão angelical quanto você deve ter um nome à altura.

- Freya, senhor.

- Freya. Um nome mais que angelical -- é divino, literalmente. A sua beleza foi enviada pelos deuses.

A jovem de cabelos dourados corou.

- ... obrigada, senhor.

- Não gostaria de entrar para um... papo?

Freya ficou com o olhar fixo por um tempo. Voltando a si, olhou para trás, como se estivesse vigiando alguém, e entrou.

PS: A aventura começou nessa estalagem. Tratava-se de uma encomenda de um ricaço excêntrico e bon-vivant, que tinha duas dríades como companheiras. Ele queria que recuperássemos um tesouro - um livro - do outro lado do mundo, e nos pagaria uma boa grana. Para isso, tínhamos que embarcar em um navio pirata...
PS2: Não esqueça de comentar!